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“A Jornada de Ysai”: mangá paraense inspirado na cultura amazônica conquista leitores com arte detalhada

Criada pelo ilustrador Franklin Fernandes, a obra une fantasia, mitologia e elementos da Amazônia em uma história que valoriza a identidade cultural da Região Norte.

Por Lucas Neves
30/07/2026 às 22:43 • 3 min
capas do mangá a jornada ysai

Divulgação/Instagram

A riqueza da cultura amazônica ganhou espaço no universo dos mangás com “A Jornada de Ysai”, obra do ilustrador paraense Franklin Fernandes. Com traços detalhados e uma narrativa inspirada na Região Norte, o projeto vem conquistando leitores ao retratar cenários, costumes e referências culturais da Amazônia em uma história de fantasia.

Disponível gratuitamente nas plataformas Fliptru, Funktoon e Karikari, o mangá acompanha a trajetória de Ysai, uma jovem impulsiva, corajosa e determinada que nunca foi aceita por seu povo. Desde o seu nascimento, a Vila Tapajós passou a enfrentar um período de decadência, e o desaparecimento da lua cheia fez com que muitos moradores acreditassem que ela fosse uma maldição.

Em entrevista ao Estado do Pará Online (EPOL), Franklin Fernandes contou que a ideia da obra surgiu da vontade de ver a cultura amazônica representada em um formato amplamente consumido pelo público.

“Sou muito fã de mangás e animes de aventura, principalmente os de fantasia. Percebi que as histórias mais conhecidas utilizam elementos muito fortes da cultura e da mitologia japonesa. Ao mesmo tempo, enxerguei que a cultura amazônica é igualmente rica, mas ainda pouco retratada. ‘A Jornada de Ysai’ nasceu desse desejo de ver nossa identidade ocupando esse espaço e, quem sabe, inspirar outros autores até que isso se torne algo cada vez mais comum”, afirma.

representação gráfica do mangá paraense
Capa do capítulo 11 de “A Jornada de Ysai”. (Divulgação/Instagram)

Além da história, a qualidade da arte também tem chamado atenção dos leitores. Segundo o ilustrador, o trabalho é resultado de anos de experiência como ilustrador profissional e de referências construídas ao longo da vida.

“A pesquisa vem muito da minha própria vivência. As viagens ao Marajó e o contato com cidades ribeirinhas despertaram uma sensação muito especial, que também me remete às histórias que minha mãe, nascida no Marajó, contava sobre a infância dela. Outra grande inspiração são as fotografias de Luiz Braga”, explica.

Apesar do reconhecimento conquistado por artistas da região, Franklin acredita que produzir quadrinhos na Amazônia ainda é um grande desafio.

ilustrador paraense Franklin Fernandes
Autor conversou em exclusividade com o EPOL. (Arquivo Pessoal)

“Os quadrinhos nacionais já enfrentam dificuldades para alcançar um público maior. Produzir esse tipo de conteúdo no Norte é um verdadeiro ato de resistência. Embora muitos artistas estejam sendo reconhecidos e premiados, esse reconhecimento ainda está longe de garantir condições para viver exclusivamente desse trabalho”, destaca.

Por enquanto, o autor não pretende lançar uma versão impressa da obra. Segundo ele, “A Jornada de Ysai” continuará disponível gratuitamente em formato digital, permitindo que leitores de qualquer lugar conheçam a aventura inspirada na cultura, nos cenários e nas tradições da Amazônia.

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