Política

Zé Geraldo eleva o tom, diz que vice de Hana “é do PT” e defende Dirceu Ten Caten

Ex-deputado federal questiona indicação de Josué Paiva, critica envolvimento de igrejas na disputa política e reforça pressão petista sobre o MDB para que Dirceu seja vice de Hana. Zé Geraldo saiu em defesa de Dirceu Ten Caten como vice de Hana Ghassan e afirmou que a vaga deve pertencer ao PT. A declaração eleva a tensão com o Avante e com lideranças evangélicas que apoiam Josué Paiva.

Por admin
30/07/2026 às 21:46 • 6 min

A disputa pela vaga de vice-governador na chapa de Hana Ghassan (MDB) ganhou um novo e mais contundente capítulo. O ex-deputado federal Zé Geraldo, uma das lideranças históricas do Partido dos Trabalhadores no Pará, saiu publicamente em defesa do deputado estadual Dirceu Ten Caten e afirmou que o espaço na composição majoritária deve pertencer ao PT.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zé Geraldo reagiu à movimentação do Avante, que apresentou o deputado estadual Josué Paiva como opção para integrar a chapa da governadora. Em tom incisivo, o petista questionou: “Quem é Josué Paiva na fila do pão para querer ser vice?”.

A declaração representa uma mudança de temperatura na disputa. Até então, PT, Avante, lideranças evangélicas e outros setores da base governista vinham apresentando seus nomes e argumentos nos bastidores. Com a manifestação de Zé Geraldo, a negociação deixa o campo das articulações reservadas e assume a forma de um confronto público entre aliados que disputam o mesmo espaço.

Defesa da força política do PT

Zé Geraldo sustentou que o PT reúne maior densidade política, representação parlamentar e base social para reivindicar a vaga. O ex-deputado destacou que o partido possui senador, deputados federais, bancada estadual e presença organizada nos movimentos sociais.

Ele também associou a composição estadual ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e classificou Dirceu Ten Caten como um dos parlamentares de maior atuação na Assembleia Legislativa nos últimos anos.

“Quem precisa compor a cabeça de chapa com o MDB é o PT”, afirmou.

Na avaliação apresentada pelo petista, a escolha não deve considerar apenas o tamanho formal das legendas, mas o cenário nacional, a necessidade de assegurar um palanque para Lula no Pará e a contribuição do governo federal para os projetos executados no estado.

Dirceu Ten Caten está no terceiro mandato como deputado estadual, lidera a bancada petista na Alepa, preside o PT em Marabá e integra as executivas estadual e nacional da legenda. O seu nome foi escolhido pelo Diretório Estadual ainda em dezembro de 2025 e reafirmado em diferentes reuniões partidárias.

PT tratou composição como definida

No dia 24 de julho, a Executiva Estadual do PT confirmou a manutenção da aliança com o MDB e voltou a apresentar Dirceu como pré-candidato a vice-governador. A composição defendida pela direção petista prevê Hana Ghassan na disputa pelo Governo do Pará, Dirceu na vice e Helder Barbalho e Chicão como candidatos ao Senado.

A resolução oficial do PT Pará estabelece ainda como prioridade absoluta a reeleição de Lula e a ampliação das bancadas da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

A posição deverá ser levada à convenção da Federação, marcada para o dia 1º de agosto, às 13 horas, no estacionamento do Estádio Mangueirão, em Belém.

Apesar do discurso do PT tratar a composição como encaminhada, o nome de Dirceu ainda depende da aceitação do MDB e da homologação da chapa nas convenções. A direção emedebista e a própria Hana ainda não apresentaram publicamente a escolha como uma decisão definitiva.

Avante e evangélicos pressionam por Josué Paiva

Do outro lado da negociação, o Avante oficializou Josué Paiva como seu indicado para a vaga. O partido afirma que a proposta conta com apoio de lideranças evangélicas e de representantes do setor produtivo.

Como o EPOL revelou, dirigentes de convenções das Assembleias de Deus e de outras denominações reuniram-se para defender que o segmento evangélico seja contemplado na chapa governista. Parte dessas lideranças manifesta resistência a uma composição com o PT e sustenta que um representante cristão poderia reduzir a vantagem que Daniel Santos possui entre os eleitores mais conservadores.

Zé Geraldo contestou diretamente essa estratégia. No vídeo, acusou o adversário de tentar utilizar as igrejas como instrumento de pressão política contra o PT.

A fala deve provocar reação dentro do Avante e entre as lideranças religiosas envolvidas na articulação. Ao questionar não apenas a força política de Josué, mas também a participação das igrejas, o petista amplia o embate para um terreno sensível da eleição: a disputa pelo voto evangélico.

A vice também define o palanque de Lula

A manifestação de Zé Geraldo evidencia que a escolha do vice ultrapassou a negociação entre partidos estaduais. Para o PT, ocupar a chapa de Hana representa a garantia de participação direta no projeto governista e de um palanque formal para Lula no Pará.

Esse ponto ganha importância diante das dúvidas existentes sobre o grau de envolvimento da campanha de Hana com a eleição presidencial. Sem um petista na chapa, Lula dependeria de outros aliados para organizar sua campanha no estado, entre eles Celso Sabino, que disputa uma vaga ao Senado pelo PDT.

Nos bastidores anteriormente noticiados pelo EPOL, o presidente estadual do PT, senador Beto Faro, teria informado à militância que uma eventual rejeição ao nome de Dirceu poderia levar o partido a discutir candidatura própria ao Governo do Pará. A possibilidade ainda não foi formalizada, mas funciona como instrumento de pressão sobre o MDB.

A decisão também produz consequências na eleição para o Senado. A manutenção de Chicão na disputa preserva o desenho defendido por Helder Barbalho. Uma eventual transferência de Chicão para a vice abriria espaço para a reorganização do segundo voto governista, podendo beneficiar diretamente Celso Sabino.

Tom mais duro pode dificultar negociação

A fala de Zé Geraldo fortalece a militância petista e demonstra que Dirceu Ten Caten não é apenas uma indicação do grupo político de Beto Faro. O nome também recebe respaldo de uma liderança com trajetória histórica no partido e forte presença no sul e sudeste do Pará.

Por outro lado, o tom adotado pode dificultar uma solução negociada. PT e Avante integram o campo de apoio a Hana e precisarão permanecer juntos durante a campanha, independentemente de qual legenda seja contemplada na composição majoritária.

A vaga não pertence previamente a qualquer partido. Politicamente, ela será definida pela correlação de forças da aliança, pela estratégia eleitoral de Hana e pela decisão homologada nas convenções. O que Zé Geraldo faz é reivindicar que o tamanho, a história e o peso nacional do PT sejam considerados determinantes nessa escolha.

Faltando poucos dias para a oficialização das chapas, o recado está dado: o PT não pretende abrir mão da vice sem confronto. E uma disputa que já envolvia partidos, lideranças religiosas, setor produtivo, campanha presidencial e candidaturas ao Senado acaba de ganhar também um componente de enfrentamento público entre aliados.

Leia também:

WhatsApp