Cidades

UFPA desenvolve tecnologia patenteada para ampliar energia solar em comunidades da Amazônia

Solução permite aumentar a capacidade de armazenamento de energia sem substituir a infraestrutura elétrica existente

Por Sarah Carvalho
29/07/2026 às 14:48 • 3 min

Foto divulgação UFPA

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) para ampliar a capacidade de armazenamento de energia solar em comunidades isoladas da Amazônia recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A inovação permite integrar baterias de lítio disponíveis no mercado a sistemas de geração já existentes, sem a necessidade de substituir a infraestrutura elétrica instalada, reduzindo custos e ampliando a autonomia energética dessas localidades.

A tecnologia já está em funcionamento na Ilha das Onças, em Barcarena, onde abastece uma microrrede que atende 11 residências e uma igreja. A energia gerada pelos painéis solares é utilizada para iluminação, funcionamento de refrigeradores, televisores, bombas de água e motores empregados no processamento de polpas de frutas.

Parte da eletricidade produzida durante o dia é armazenada em baterias para ser utilizada durante a noite ou em períodos de baixa incidência solar. Com isso, o sistema contribui para manter o abastecimento de água, a conservação de alimentos e o desenvolvimento de atividades domésticas e produtivas da comunidade.

Figura: Edificações ribeirinhas sendo atendidas pela rede

Segundo o professor da UFPA e um dos inventores da tecnologia, Wilson Negrão Macedo, o objetivo é tornar as microrredes mais eficientes.

“A tecnologia visa flexibilizar e aprimorar a capacidade de armazenamento distribuída em microrredes de corrente contínua de estrutura aberta e alimentadas por energia solar fotovoltaica”, explicou.

Além de garantir energia para as residências, a solução pode contribuir para o fortalecimento de serviços essenciais em comunidades ribeirinhas, como educação, saneamento e geração de renda. A eletricidade permite o uso de computadores e equipamentos de comunicação, o funcionamento de bombas d’água, a refrigeração de pescados e alimentos e o processamento de produtos da biodiversidade local.

O sistema também foi projetado para possibilitar o carregamento de pequenas embarcações elétricas utilizadas no transporte das comunidades.

Como funciona

A tecnologia utiliza dois equipamentos responsáveis pelo controle do carregamento e da distribuição de energia. Um deles é conectado aos painéis solares e às baterias de lítio de 48 volts. O segundo faz a ligação dessas baterias à rede de distribuição de 24 volts que abastece as residências e demais edificações.

Essa configuração permite incorporar novas baterias sem alterar a tensão da rede ou substituir a estrutura já instalada. Além disso, o sistema pode ser programado para definir o momento ideal de utilização da energia armazenada, levando em consideração a capacidade das baterias e o consumo da comunidade.

Segundo os pesquisadores, a solução também representa uma alternativa mais acessível aos equipamentos comerciais de maior capacidade, que possuem custo elevado e menor disponibilidade no mercado brasileiro.

Patente

A invenção recebeu do INPI a patente BR 102024022872-3, concedida à UFPA e válida por 20 anos, contados a partir de novembro de 2024.

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), um dos mais antigos centros de pesquisa do país dedicados às energias renováveis, com atuação em projetos de energia solar, eólica e sistemas híbridos para abastecimento de comunidades isoladas da rede elétrica convencional.

Leia também:

WhatsApp