Política

Documentário do ICL expõe trajetória de Flávio Bolsonaro, sua família e o suposto envolvimento com o crime organizado

Produção apresentada por Eduardo Moreira reúne documentos, imagens de arquivo e depoimentos para abordar relações familiares, controvérsias políticas e a ligação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Por Estado do Pará Online
23/07/2026 às 21:29 • 5 min
Flávio Bolsonaro em foto em primeiro plano, tendo o fundo imagens de Brasília.

Documentário sobre o Flávio Bolsonario estreia nesta quinta-feira, 23.

O documentário sobre Flávio Bolsonaro lançado pelo Instituto Conhecimento Liberta reúne documentos, imagens de arquivo e depoimentos para analisar a trajetória do senador. Apresentada por Eduardo Moreira, a produção aborda relações familiares, controvérsias políticas e as ambições eleitorais do chamado “filho zero um”.

Exibido ao vivo nesta quinta-feira, 23 de julho, pelo canal do Instituto Conhecimento Liberta, o documentário Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho zero um transforma a trajetória do senador em uma narrativa sobre poder, família e sucessão política. Com 58 minutos e nove segundos de duração, a produção está disponível gratuitamente no YouTube.

Apresentado por Eduardo Moreira, o filme combina intervenções em estúdio, reportagens antigas, publicações em redes sociais, documentos e entrevistas. Entre os depoentes mais reconhecíveis estão o ex-deputado Alexandre Frota e o deputado federal Otoni de Paula, além de pessoas apresentadas como conhecedoras da intimidade e dos bastidores da família Bolsonaro.

O título já deixa clara a intenção da obra. Em vez de uma biografia convencional, construída sobre uma cronologia equilibrada da vida pública e pessoal do personagem, o documentário assume um ponto de vista crítico. Seu objetivo é organizar episódios dispersos em uma tese: a de que Flávio Bolsonaro ocupa posição central – embora nem sempre tão visível quanto a do pai – na estrutura política erguida pela família nas últimas décadas.

Atualmente senador pelo Rio de Janeiro, com mandato de 2019 a 2027, Flávio Bolsonaro é tratado pelo filme simultaneamente como filho, articulador político e herdeiro de um projeto de poder. A expressão “zero um”, tradicionalmente usada para identificá-lo como o primogênito de Jair Bolsonaro, ganha na produção um significado político: ele aparece como personagem formado dentro do núcleo familiar e projetado para preservar sua influência.

Um dos eixos recupera o caso envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O assunto surge por meio de arquivos jornalísticos e do depoimento de Alexandre Frota. Mais do que reconstituir detalhadamente todas as etapas judiciais do episódio, o documentário utiliza o caso como ponto de partida para discutir lealdades, proteção política e o funcionamento interno do bolsonarismo.

Outra frente aborda as relações entre Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro. Fotografias, vídeos e relatos são usados para sugerir que a imagem pública de unidade familiar convive com disputas por espaço, influência e proximidade com o ex-presidente. O filme também recupera o recente atrito com Michelle Bolsonaro, exibindo manifestações públicas do senador sobre a ex-primeira-dama.

O trecho de maior atualidade é dedicado ao Banco Master e ao relacionamento de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro. A produção exibe mensagens atribuídas aos dois e associa o contato à busca de recursos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

O próprio senador confirmou que manteve contato com Vorcaro e que articulou apoio financeiro para a produção cinematográfica. Flávio, porém, negou qualquer crime e afirmou que se tratava de um patrocínio privado. Segundo a Agência Brasil, o apoio negociado chegaria a R$ 134 milhões. Posteriormente, o senador também confirmou ter se reunido com o banqueiro depois da primeira prisão dele, afirmando que o encontro teve o objetivo de encerrar sua participação no projeto, conforme relato da mesma agência.

Na reta final, imagens de Flávio em eventos conservadores internacionais, incluindo a CPAC, deslocam a narrativa do passado para o futuro. É nesse ponto que o documentário revela com mais clareza seu caráter de intervenção no debate eleitoral de 2026: a pergunta deixa de ser apenas quem foi o “filho zero um” e passa a ser qual papel ele pretende desempenhar no cenário nacional.

A principal força da produção está na montagem. Muitos episódios já haviam sido noticiados separadamente, mas, reunidos em menos de uma hora, formam um retrato político mais amplo. Ao aproximar controvérsias financeiras, relações familiares, alianças religiosas e ambições eleitorais, o filme tenta demonstrar que esses elementos não podem ser compreendidos de forma isolada.

Por assumir uma perspectiva abertamente crítica, contudo, o documentário deve ser visto como uma tese jornalística e política, não como palavra definitiva sobre os fatos apresentados. Cabe ao público distinguir documentos verificáveis, declarações públicas, depoimentos pessoais e interpretações construídas pela edição.

Ainda assim, lançado em um momento decisivo do calendário eleitoral, A verdadeira história sobre o filho zero um cumpre a função de recolocar Flávio Bolsonaro no centro do debate. Não apenas como filho do ex-presidente, mas como personagem com trajetória, articulações e ambições próprias – e que, por isso mesmo, passa a ser submetido a um grau maior de escrutínio público.

Assista ao documentário:

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