Política

Exclusivo: denúncia na PGR e racha no PL; entenda as acusações entre Éder Mauro e Zezinho Lima

Em entrevista exclusiva ao jornalista Diógenes Brandão, Zezinho Lima detalhou as acusações contra Éder Mauro, anunciou denúncia à PGR e falou sobre o racha interno no PL no Pará.

Por Estado do Pará Online
23/07/2026 às 10:42 • 7 min

Foto: Poder Cast/ TVC

O vereador de Belém Zezinho Lima (PL) detalhou, em entrevista exibida nesta quarta-feira (22) no PoderCast, da TVC Pará, as acusações feitas contra o deputado federal Éder Mauro, também do PL.

Durante o programa, Zezinho afirmou ter entregado à Polícia Federal um pendrive com extratos bancários, comprovantes de transferências, conversas e outros documentos que, segundo ele, indicariam um suposto esquema envolvendo recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde.

O vereador também anunciou que levaria o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, nesta quinta-feira (23), e que pretende pedir a investigação, a cassação do mandato e a responsabilização criminal de Éder Mauro. As acusações ainda deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.

Não há, até o momento, confirmação pública de que a Polícia Federal tenha instaurado um inquérito específico a partir do material apresentado por Zezinho Lima.

Vereador aponta movimentações de ex-assessor

Na entrevista ao apresentador Diógenes Brandão, Zezinho afirmou que parte das provas está relacionada às movimentações bancárias de um homem identificado como Lucas, ex-assessor ligado ao gabinete do vereador Mayky Vilaça.

Segundo Zezinho, o ex-assessor, apesar de receber salário de servidor da Câmara Municipal de Belém, teria movimentado valores superiores a R$ 1 milhão em sua conta bancária. O vereador sustenta que Lucas teria sido utilizado como “mula” (intermediário) para receber recursos vinculados a um suposto esquema de devolução de parte de emendas parlamentares enviadas a municípios paraenses.

De acordo com a acusação, empresas prestadoras de serviços das prefeituras beneficiadas pelas emendas fariam transferências para contas de pessoas ligadas ao grupo investigado. Zezinho afirmou que os valores devolvidos corresponderiam a percentuais entre 20% e 30% dos recursos. O parlamentar defendeu ainda que a Polícia Federal solicite a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos para identificar a origem e o destino das movimentações.

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Zezinho admite transferências de R$ 20 mil

Durante o programa, Zezinho confirmou que ele, sua irmã e o presidente da Câmara Municipal de Belém, John Wayne (MDB), fizeram transferências que somaram R$ 20 mil para Lucas. Segundo o vereador, os pagamentos foram feitos para ajudar o ex-assessor, que estaria enfrentando dificuldades financeiras, problemas relacionados a jogos e ameaças contra sua vida.

Zezinho negou que o dinheiro tenha sido usado para comprar informações ou para convencer Lucas a produzir acusações contra Éder Mauro: “Eu ajudei esse rapaz com R$ 20 mil”, declarou. O vereador argumentou que uma pessoa que havia movimentado mais de R$ 1 milhão não venderia informações em troca dos valores transferidos por ele e por John Wayne.

Denúncias de ameaças e agressão

Zezinho também afirmou que Lucas teria sido ameaçado e levado a um galpão, onde teria sido agredido por pessoas ligadas aos acusados. Segundo o vereador, o episódio teria ocorrido após o ex-assessor se apropriar de parte dos valores que deveria movimentar. Ele declarou ter entregado à Polícia Federal uma gravação com o relato das supostas ameaças e agressões.

Durante a entrevista, Zezinho também responsabilizou Éder Mauro por qualquer eventual violência que venha a sofrer. O vereador afirmou que já utiliza segurança reforçada por causa de ameaças anteriores relacionadas a outras denúncias feitas durante seu mandato.

Pedido de cassação na Câmara

Zezinho anunciou ainda que pretende pedir a cassação do mandato do vereador Mayky Vilaça, também citado por ele como participante do suposto esquema. O vereador declarou que o presidente da Câmara Municipal teria sido informado sobre o caso e convocaria o Conselho de Ética para analisar as acusações.

O vereador afirmou que Lucas era lotado no gabinete de Vilaça e que outros assessores também apareceriam nos documentos encaminhados à Polícia Federal.

Denúncia será levada à PGR

Zezinho declarou que apresentaria o material à Procuradoria-Geral da República por envolver um deputado federal. O vereador disse que pretende solicitar a investigação do caso, a quebra dos sigilos bancários dos citados, a cassação do mandato parlamentar de Éder Mauro e a prisão do deputado, caso os crimes apontados sejam comprovados.

Durante a entrevista, ele acusou Éder Mauro de corrupção ativa e passiva e de organização criminosa. As declarações representam acusações do vereador e ainda não foram confirmadas por investigação concluída ou decisão judicial.

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Disputa provoca racha no PL

O caso também expôs uma disputa interna no Partido Liberal no Pará. Zezinho Lima é pré-candidato a deputado estadual e afirma que o conflito com Éder Mauro se intensificou em razão de sua possível candidatura nas eleições de 2026.

Segundo o vereador, o deputado teria tentado impedir sua entrada na disputa eleitoral por considerar que Zezinho poderia retirar votos de candidatos ligados ao seu grupo político. Zezinho declarou que teme ser retaliado ou impedido de concorrer pelo PL, mas afirmou que recorrerá à Justiça caso sua candidatura seja barrada.

A direção estadual do partido informou, conforme divulgado durante o programa, que adotará providências para apurar as denúncias, respeitando as regras internas da legenda.

Troca de acusações começou nas redes sociais

A disputa pública começou horas antes da entrevista, quando Éder Mauro e Zezinho Lima protagonizaram uma troca de acusações nas redes sociais ao longo da quarta-feira (22).

Em vídeo publicado em seu perfil, Éder Mauro acusou Zezinho Lima e o presidente da Câmara Municipal de Belém, John Wayne, de articularem uma denúncia falsa com o objetivo de prejudicar sua imagem.

Segundo o deputado, os dois teriam procurado Lucas para gravar um vídeo atribuindo a Éder Mauro envolvimento em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares da saúde.

Para sustentar a acusação, o deputado exibiu comprovantes de transferências via Pix. De acordo com ele, os documentos mostram um pagamento de R$ 10 mil feito por John Wayne, além de outros R$ 10 mil divididos entre Zezinho e uma mulher identificada como irmã do vereador.

Éder Mauro também apresentou conversas de WhatsApp atribuídas a Zezinho e afirmou que os valores teriam sido usados para financiar a gravação da denúncia.

Pouco depois, Zezinho publicou outro vídeo em resposta ao deputado, fez acusações de corrupção e o desafiou a comparecer à sede da Polícia Federal, em Belém.

Éder Mauro nega irregularidades

Em nota, Éder Mauro afirmou ser alvo de uma articulação política para produzir e divulgar um vídeo com acusações falsas contra ele.

O deputado acusou Zezinho Lima e John Wayne de participarem da suposta ação e disse ter apresentado comprovantes de transferências, registros de conversas e ligações que, segundo ele, sustentam sua versão. Éder Mauro informou ainda que sua equipe jurídica analisa o material para adotar as medidas judiciais cabíveis.

Embora Éder Mauro não tenha participado da entrevista no PoderCast, a produção do programa citou o comunicado emitido por sua assessoria e destacou que o espaço permanece aberto para que ele apresente sua versão sobre as acusações.

O Portal Estado do Pará Online também solicitou posicionamento às assessorias de John Wayne, Mayky Vilaça e dos demais citados. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.

Confira o programa completo:

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