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Verão amazônico aumenta alerta para doenças tropicais no Pará

Apesar da redução dos casos prováveis de dengue, crescimento no número de mortes reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Por Estado do Pará Online
22/07/2026 às 10:02 • 4 min

Foto: divulgação

O verão amazônico, marcado por calor intenso, chuvas irregulares e períodos de estiagem, aumenta o risco de proliferação de mosquitos transmissores de doenças tropicais no Pará. Entre as principais ameaças estão dengue, chikungunya, malária, leptospirose, febre Oropouche e febre Mayaro.

Embora o número de casos prováveis de dengue tenha diminuído no estado, o aumento das mortes pela doença acende um alerta sobre a gravidade das arboviroses.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) apontam 17 mil casos prováveis de dengue em 2025, uma redução de cerca de 14% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 19,7 mil casos.

No entanto, o número de mortes mais que dobrou, passando de 11 para 28. Os dados mostram que, mesmo com menor circulação, a doença continua apresentando risco de evolução para quadros graves.

Clima favorece proliferação de mosquitos

No Sul e Sudeste do Pará, o acúmulo de água parada e as mudanças nas condições climáticas favorecem a reprodução de vetores como o Aedes aegypti e o Anopheles, aumentando o risco de surtos.

“O padrão climático da região favorece o aumento dos casos, que podem evoluir para formas graves e até levar ao óbito quando não diagnosticados e tratados precocemente”, explica o infectologista Harbi Othman, professor da Afya Marabá.

Segundo o especialista, a prevenção continua sendo a principal estratégia para diminuir a circulação dessas doenças. Entre as medidas recomendadas estão eliminar criadouros, manter caixas-d’água fechadas, descartar o lixo corretamente e utilizar repelentes, telas de proteção e mosquiteiros.

O diagnóstico precoce também é considerado fundamental para reduzir o risco de complicações.

Desigualdades ampliam riscos

Dados do Boletim Epidemiológico Brasileiro mostram que as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de casos e mortes por doenças tropicais negligenciadas.

O cenário está relacionado às desigualdades sociais e às condições ambientais enfrentadas pela população dessas regiões.

Entre os avanços científicos no combate às arboviroses está a utilização de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão de vírus como os da dengue e da chikungunya.

Apesar disso, o controle dos vetores ainda depende principalmente da participação da população.

“Enquanto não tivermos vacinas amplamente seguras e eficazes para todas essas doenças, o combate aos criadouros e as ações comunitárias continuam sendo nossas ferramentas mais importantes”, afirma Othman.

Pequeno mosquito, grande desafio

Para a bióloga e mestre em Zoologia Roberta Raiol, professora da Afya Abaetetuba, o combate às arboviroses precisa fazer parte da rotina das comunidades.

“As arboviroses fazem parte do cotidiano da Amazônia e podem ser prevenidas com atitudes simples. Compreender como o clima influencia a proliferação dos mosquitos e reconhecer os sinais de alerta é essencial para proteger a saúde individual e coletiva”, destaca.

A especialista orienta que a eliminação dos focos não ocorra apenas dentro das residências, mas também em quintais, terrenos, escolas e espaços públicos.

A recomendação é realizar inspeções semanais em calhas, vasos de plantas, pneus, garrafas, caixas-d’água e qualquer recipiente que possa acumular água.

Além da dengue, da zika e da chikungunya, transmitidas pelo Aedes aegypti, Roberta Raiol chama atenção para doenças emergentes na região, como as febres Oropouche e Mayaro.

Embora apresentem sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, essas doenças são transmitidas por outros vetores e exigem avaliação médica para um diagnóstico correto.

Automedicação deve ser evitada

Ao apresentar sintomas compatíveis com alguma arbovirose, a orientação é evitar a automedicação e procurar uma unidade de saúde para avaliação e tratamento adequados.

No caso da dengue, os principais sintomas são febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos e manchas na pele.

Dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos são sinais de gravidade e exigem atendimento médico imediato.

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