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Espetáculo internacional ‘Velhos’ chega pela primeira vez ao Norte em temporada na capital paraense

Após percorrer mais de 20 países, espetáculo chega a Belém entre os dias 23 e 26 de julho para convidar o público a refletir sobre o tempo, as relações familiares e a velhice.

Por Estado do Pará Online
20/07/2026 às 12:35 • 5 min

Foto: Divulgação

A capital paraense recebe, entre os dias 23 e 26 de julho, um dos espetáculos mais reconhecidos do teatro de bonecos contemporâneo. Pela primeira vez na Amazônia brasileira, o argentino Sergio Mercurio apresenta “Velhos” (Viejos) na CAIXA Cultural Belém, trazendo ao público uma montagem que já percorreu mais de 20 países e consolidou o artista como uma das principais referências mundiais do teatro de animação voltado para jovens e adultos.

Com mais de três décadas de carreira, milhares de apresentações e uma trajetória marcada pelo diálogo entre culturas, Mercurio divide o palco com a atriz Rosi Jacomelli para dar vida a personagens que abordam temas universais como memória, afeto, companheirismo e a passagem do tempo. Ao final de cada sessão, o público ainda poderá participar de um bate-papo com os artistas.

A chegada de “Velhos” a Belém representa um momento simbólico na carreira do argentino, que, apesar da extensa circulação internacional, nunca havia se apresentado para o público amazônida.

“Espero isso com muita alegria. Tomara que esse seja apenas o primeiro encontro. Já me apresentei na Amazônia boliviana muitos anos atrás e foi maravilhoso. Espero voltar a emocionar as pessoas aqui”, afirma Mercurio.

Uma reflexão sobre o tempo e os afetos

Primeiro espetáculo da trilogia dedicada à velhice, “Velhos” integra o projeto Velhos e Seus Netos, criado por Sergio Mercurio para investigar, por meio do teatro de bonecos, as relações entre diferentes gerações.

A montagem reúne oito personagens construídos com variadas técnicas de manipulação, que vão de bonecos gigantes a figuras conduzidas apenas pelos pés dos atores. Longe de retratar idosos como heróis ou vítimas, o espetáculo apresenta pessoas comuns, carregadas de lembranças, fragilidades, humor e afeto, capazes de despertar identificação em espectadores de diferentes idades.

A proposta é lançar um olhar mais sensível sobre a velhice, transformando experiências frequentemente associadas à perda em histórias repletas de humanidade e ternura.

Memórias pessoais inspiraram a criação

A origem de “Velhos” está diretamente ligada às lembranças de infância do artista com os próprios avós. Segundo Mercurio, a convivência com eles foi determinante para sua formação afetiva e acabou se transformando na principal inspiração para a obra.

“Eu fui olhado por seis velhos. Hoje entendo que uma criança precisa de uma coisa além de comida e abrigo: ela precisa ser olhada. ‘Velhos’ é a troca que eu dou para eles”, conta.

Questões como Alzheimer, Parkinson, solidão e companheirismo aparecem na montagem, mas sem o peso de uma narrativa moralizante. Em vez disso, o espetáculo aposta no humor como ferramenta para aproximar o público dessas vivências.

“A lição de moral é séria e entediante. O humor transforma o mundo”, resume o artista.

Teatro de bonecos além do universo infantil

Embora os bonecos sejam tradicionalmente associados ao público infantil, Sergio Mercurio construiu sua carreira justamente rompendo essa percepção. Ao longo dos anos, transformou o teatro de animação em uma linguagem voltada também para jovens e adultos, capaz de abordar temas profundos sem perder a delicadeza.

Para ele, são justamente os personagens inanimados que conseguem expressar de forma mais genuína a condição humana.

“A gente acredita muito mais naquilo que não está vivo. Os vivos mentem, enganam, confundem. Aquilo que não tem vida não trai. Os bonecos conseguem ficar muito mais próximos de nós”, explica.

Essa escolha estética tem produzido uma resposta semelhante em diferentes partes do mundo. Segundo Mercurio, após as apresentações é comum ouvir relatos de espectadores que relembram familiares ou passam a refletir sobre o próprio envelhecimento.

“Sempre aparece alguém para falar do pai, do avô, ou para dizer que agora sabe como quer viver o próprio futuro.”

Da viagem pelo espaço à travessia do tempo

Reconhecido internacionalmente por ampliar as possibilidades do teatro de bonecos, Mercurio percorreu durante muitos anos diversos países da América Latina criando espetáculos inspirados nas experiências vividas em cada lugar.

Hoje, no entanto, afirma que sua principal viagem deixou de ser geográfica para se tornar uma travessia pelo tempo e pelas relações humanas.

“Antes de sair de viagem eu queria conhecer os outros. Hoje eu falo dos outros que conheci e aprendi a amar”, afirma. “Primeiro eu me interessava muito pelo espaço. Depois comecei a me interessar pelo tempo.”

Essa mudança de perspectiva atravessa “Velhos”, espetáculo que convida o público a refletir sobre a passagem dos anos sem nostalgia ou dramatização, mas com humor, sensibilidade e empatia.

Em Belém, a temporada marca não apenas a estreia da montagem na Amazônia brasileira, mas também o primeiro encontro entre o artista e o público da região, em uma experiência que promete emocionar diferentes gerações.

Serviço
Espetáculo: Velhos (Viejos)
Datas: 23, 24, 25 e 26 de julho de 2026
Horário: 19h
Local: CAIXA Cultural Belém – Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto (Porto Futuro II)
Ingressos:
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia-entrada para os públicos previstos em lei e clientes CAIXA)
Gratuidade para pessoas com 60 anos ou mais.
Vendas: na bilheteria da CAIXA Cultural Belém e pelo site da CAIXA Cultural
Classificação indicativa: 14 anos

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