Política

PCC e CV agem na mineração ilegal na Amazônia e são defendidos por políticos paraenses?

Por Estado do Pará Online
30/06/2026 às 13:21 • 4 min
Garimpo ilegal em Novo Progresso mostra avanço do PCC e do Comando Vermelho na Amazônia durante operações da Polícia Federal e órgãos ambientais.

Operações federais intensificam o combate ao garimpo ilegal em Novo Progresso diante da expansão do PCC e do Comando Vermelho na Amazônia.

A região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, enfrenta um cenário complexo de segurança pública e gera um debate que ainda escamoteia o que e quem realmente está por trás dessa engenharia do crime organizado, que conta com a participação de produtores rurais e fazendeiros das regiões onde existe ouro e muita madeira – ainda protegida – cobiçada por eles.

A expansão de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre o garimpo ilegal de ouro, utilizam a mineração clandestina como uma nova fronteira econômica para financiar suas operações, comprar armamentos e realizar a lavagem de dinheiro do narcotráfico.

Assistimos as mesmas figuras políticas que exaltaram a classificação desses grupos como terroristas pelos EUA, fazendo intensa mobilização nas redes sociais, vitimizando “indefesos garimpeiros”, que apenas exploram ouro em terras indígenas.

É importante destacar, que ao contrário do que curiosamente defendem algumas dessas figuras políticas, o garimpo ilegal, tal como está sendo combatido pelo IBAMA, ICMBio e Polícia Federal, nas operações recentes das forças federais têm gerado confrontos diretos na localidade.

A dinâmica do crime em Novo Progresso é muito simples, e serve ao financiamento e logística para que o ouro extraído de forma ilegal sirva como moeda forte internacional para essas facções.

O isolamento geográfico de Novo Progresso e a proximidade com a rodovia BR-163 facilitam o escoamento do metal.

No sentido inverso às declarações e apelos inusitados dos mesmos que pedem aos EUA que interfiram e combatam o “terrorismo” no Brasil, que agora pedem proteção aos garimpeiros, ignoram o envolvimento do PCC e do CV em crimes ambientais na Amazônia.

A exploração ilegal combatida pelas forças de segurança do governo federal, escalou tanto que o Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu formalmente as duas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras.

Na linha inversa, fazendo uma espécie de pressão, políticos pedem que o governo recue e permita que o garimpo siga avançando severamente sobre Unidades de Conservação e Terras Indígenas do entorno de Novo Progresso.

Agindo ativamente no combate a essa rede criminosa internacional, o governo federal mantém a região sob forte monitoramento de inteligência devido às ramificações do crime organizado na infraestrutura do garimpo.

Assim, para frear o avanço das organizações criminosas, duas operações sucessivas foram deflagradas, para o curioso desconforto de algumas figuras políticas:

A Operação Rota do Ouro (Junho de 2026), em que a Polícia Federal (PF), com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), deflagrou uma ação contra garimpos na região periférica de Novo Progresso. Estima-se que a área fiscalizada tenha gerado ilegalmente mais de 80 kg de ouro nos últimos três anos. Escavadeiras hidráulicas de grande porte e veículos de apoio logístico foram apreendidos.

E, agora, o Confronto na Flona do Jamanxim (Fim de Junho de 2026), que numa fiscalização conjunta do ICMBio e da Polícia Militar resultou em um grave incidente na Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso. Um caminhão a serviço do garimpo ilegal desobedeceu ordens de parada. Após disparos de advertência da polícia, um homem ficou ferido por estilhaços e precisou ser resgatado de helicóptero.

O impacto ambiental nas Terras Indígenas, mais os detalhes econômicos da lavagem de dinheiro com o ouro, ou no histórico das operações da Polícia Federal na região, por si, justificam e legitimam as operações, o que não é possível dizer o mesmo daqueles que resolveram agora vitimizar os outrora “terroristas”.

Talvez o motivo que faz com que alguns políticos paraenses contestem as operações e seus efeitos colaterais seja a pressão que recebem de madereiros e produtores rurais das regiões onde ocorre a mineração ilegal. Afinal de contas, antes de adentrar para as áreas de mata onde existem as jazidas de ouro, é necessário derrubar milhares de árvores e isso é muito conveniente e acaba gerando muito lucro para quem detém equipamentos e máquinas nos locais, além de sabidamente contar com a participação de quem atua com esse tipo de negócio na amazônia: os madeireiros e alguns produtores rurais que por décadas agem sob a sombra da lei e sem nenhuma preocupação ambiental. Só com o lucro fácil e rápido.

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