Política

Prisão domiciliar de Bolsonaro termina nesta quinta-feira e prorrogação depende de Moraes

Por Estado do Pará Online
24/06/2026 às 17:55 • 3 min
Prazo de 90 dias termina nesta quinta-feira (25); ministro Alexandre de Moraes avaliará manutenção, revogação ou agravamento das restrições após novo depoimento e análise de episódio envolvendo arma de fogo.

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O ex-presidente Jair Bolsonaro encerra nesta quinta-feira (25) o período de 90 dias de prisão domiciliar temporária concedido em março pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão sobre a continuidade ou o fim da medida está nas mãos do relator do caso e deve ser tomada após manifestação da Procuradoria-Geral da República e da defesa.

A domiciliar foi autorizada sob caráter excepcional, inicialmente em razão do estado de saúde do ex-presidente, que chegou a apresentar quadro de broncopneumonia. Antes da medida, Bolsonaro havia passado por diferentes regimes de custódia no âmbito do processo, incluindo detenção em instalações da Polícia Federal e em unidade da Polícia Militar no Distrito Federal.

Episódio com arma e novo depoimento ao STF

Um dos fatores que ganharam peso na análise do caso foi a apreensão de uma pistola Glock 9mm registrada em nome de Bolsonaro durante uma blitz realizada em Brasília, em abril. A arma estava com um militar ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que alegou estar transportando o equipamento para manutenção.

Após o episódio, Moraes determinou a oitiva presencial do ex-presidente, marcada para esta semana, afastando a possibilidade de depoimento por videoconferência. A defesa confirmou a propriedade da arma, mas afirmou que ela havia sido entregue a um segurança para reparo. Os advogados também sustentam que assessores teriam removido componentes da pistola sem o conhecimento de Bolsonaro.

Saúde e argumentos da defesa

A equipe jurídica do ex-presidente defende a prorrogação da prisão domiciliar com base no estado de saúde. Relatórios médicos apresentados ao STF apontam acompanhamento de quadro respiratório, além de episódios de soluços crônicos e necessidade de ajustes medicamentosos. Exames adicionais foram solicitados para monitorar possíveis complicações gastroesofágicas.

Os documentos também indicam que, embora o quadro cardiológico esteja estável, Bolsonaro relata sintomas como fadiga e cansaço recorrente. A defesa sustenta que as condições clínicas justificam a manutenção da medida humanitária.

Debate jurídico e impacto da decisão

O caso também envolve avaliação sobre possível descumprimento de condições impostas pela Justiça. Segundo análise do juiz federal Paulo César Rodrigues, a apreensão da arma pode ser interpretada como falta grave, embora o quadro de saúde e a idade do ex-presidente sejam fatores que pesam a favor da continuidade da domiciliar.

No campo político, a decisão de Moraes pode resultar em três cenários: prorrogação da prisão domiciliar, flexibilização das restrições ou agravamento das medidas judiciais. O STF, por meio da Corte, tem reforçado restrições de contato político e limitado interações do ex-presidente a familiares, advogados e médicos.

A pressão sobre o caso também vem de setores políticos distintos. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou pedido pela revogação da medida, enquanto aliados de Bolsonaro defendem a manutenção da domiciliar.

A definição do STF é aguardada com expectativa, já que pode alterar de forma significativa a situação jurídica do ex-presidente e seu espaço de atuação política nos próximos meses.

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