Uma falha grave nos procedimentos de segurança resultou na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, na manhã deste sábado (13). A vítima despencou de uma altura de 40 metros na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista.
O resgate foi acionado imediatamente por testemunhas que estavam no local do acidente. As equipes de emergência médica, no entanto, apenas puderam constatar o óbito da jovem devido ao forte impacto da queda.
Detalhes do acidente e prisões
Registros em vídeo feitos por testemunhas mostram o exato momento em que a jovem foi lançada da plataforma sem que os equipamentos de proteção estivessem conectados ao seu corpo. Profissionais do Samu e do Corpo de Bombeiros constataram o óbito ainda no local, enquanto a corda principal permaneceu caída no chão da estrutura.
A gravação capturou os gritos de desespero das pessoas logo após a jovem ser impulsionada para o vazio. A Polícia Civil agiu rapidamente e prendeu em flagrante seis pessoas homens que atuavam na organização do evento, mas apenas três permaneceram presas, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos.
Perfil da vítima e prática do Rope Jump
Natural de Jandira (SP), Maria Eduarda era formada em educação física e gestão esportiva, acumulando publicações nas redes sociais sobre sua paixão por atividades na natureza. O esporte em questão difere do bungee jump tradicional por funcionar como um pêndulo humano através de cabos dinâmicos, exigindo protocolos rígidos de dupla checagem.
Poucas horas antes da tragédia, a jovem chegou a postar fotos brincando sobre a coragem necessária para realizar o salto na ponte. Seus perfis na internet destacavam o apreço constante pela prática de esportes radicais ao ar livre.
Responsabilidade e falha técnica
A atividade de risco era coordenada por Luis Felipe; Vitor de Freitas, e Maicon Fernandes, vinculados aos grupos informais “Entre Cordas” e “Ih Voei”, os quais operavam sem nenhuma licença oficial no local. Relatos de clientes indicam que os organizadores ignoraram totalmente a vistoria obrigatória dos cabos antes de autorizarem o salto da jovem.
A corda que deveria segurar a vítima ficou completamente enrolada na plataforma de madeira por esquecimento da equipe. Outros participantes que aguardavam na fila confirmaram que os instrutores não revisaram os nós de segurança.
Encaminhamentos judiciais
Os três responsáveis foram presos em flagrante e responderão por homicídio com dolo eventual, visto que a negligência na verificação assumiu o risco direto pelo resultado. A defesa dos acusados alegou que o ocorrido se tratou de uma fatalidade, argumentando que os clientes possuem histórico de atuação sem incidentes prévios.
Em depoimento à delegada, os detidos demonstraram desorientação e alegaram não lembrar de quem era a função específica de checar os cabos. O inquérito policial seguirá ouvindo novas testemunhas nos próximos dias para concluir o relatório que será enviado à Justiça.
Situação do local
A área da antiga ferrovia federal onde ocorreu o acidente teve sua transferência patrimonial concluída recentemente para a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Cerca de 100 participantes acompanhavam o evento clandestino no momento da queda, e as autoridades agora realizam perícias complementares para formalizar a denúncia.
O Ministério da Gestão informou que o trecho desativado pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal e ficava em meio a propriedades particulares. Órgãos federais se colocaram à disposição da Polícia Civil para fornecer documentos que ajudem a esclarecer a situação da estrutura.
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