Podcast 'Vozes da Inovação' destaca protagonismo de jovens empreendedores da bioeconomia na Amazônia  - Estado do Pará Online

Podcast ‘Vozes da Inovação’ destaca protagonismo de jovens empreendedores da bioeconomia na Amazônia 

Produção multiplataforma gravada durante uma expedição pelo rio Tapajós apresenta iniciativas lideradas por jovens empreendedores que unem conhecimento tradicional, inovação e conservação da floresta

Bastidores das gravações do Vozes da Inovação no Tapajós / Foto: José Marcos Tapajós

Gravado a bordo de uma embarcação regional que percorreu o rio Tapajós, o podcast “Vozes da Inovação no Tapajós” acaba de lançar sua primeira temporada com oito episódios dedicados a histórias de jovens empreendedores da bioeconomia amazônica.

Disponível gratuitamente no Spotify , a série apresenta iniciativas desenvolvidas por moradores da região que combinam inovação, sustentabilidade e geração de renda. 

Esqueça os estúdios tradicionais com isolamento acústico de espuma e paredes de concreto. No Tapajós, no coração da Amazônia, a gravação aconteceu em movimento, acompanhando o ritmo do rio e dos territórios amazônicos.

O podcast “Vozes da Inovação no Tapajós” traz uma proposta jornalística imersiva, com episódios registrados de forma itinerante a bordo de uma embarcação regional. Navegando pelas águas da região, o projeto ecoa as vozes de jovens periféricos, ribeirinhos, empreendedores e cientistas que desenvolvem soluções ligadas à bioeconomia amazônica. 

Bastidores das gravações do Vozes da Inovação no Tapajós / Foto: José Marcos Tapajós

A produção independente foi idealizada e conduzida pelos comunicadores santarenos Isabelle Maciel (jornalista e radialista) e Vinicius Villare (publicitário e produtor cultural). Amigos desde os seis anos de idade, a dupla uniu a vivência de infância em Santarém, no oeste do Pará,  à discussão sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável para criar um projeto de comunicação comunitária voltado às iniciativas e narrativas que surgem nos próprios territórios amazônicos. 

O podcast mostra como jovens empreendedores da região unem conhecimentos tradicionais, tecnologias sociais, pesquisa científica, biotecnologia e inovação para desenvolver produtos e serviços ligados à sociobiodiversidade amazônica, criando cadeias de valor limpas e gerando autonomia financeira enquanto mantém a floresta em pé.

“O potencial econômico da bioeconomia na Amazônia é estimado em 40 bilhões de reais anuais. Quando o jovem estudante entende que manter a floresta em pé é gerar ativos, recursos e transformação social, nós quebramos um paradigma histórico. Historicamente colocada à margem dos grandes debates econômicos, a Amazônia hoje atrai os olhares do mundo, e a nossa juventude precisa participar esse processo. Afinal, a floresta é nossa casa, nós nascemos aqui e sabemos como cuidar dela e transformá-la na nossa maior ferramenta de futuro”, pontua Vinicius Villare, publicitário e apresentador do podcast. 

Ao longo da temporada, o programa apresenta oito iniciativas lideradas por jovens empreendedores do oeste do Pará. Os episódios abordam projetos voltados à produção de alimentos funcionais, cosméticos naturais, reaproveitamento de resíduos, biotecnologia ambiental, bebidas probióticas, tecnologia imersiva e soluções para tratamento de água.

Entre os destaques estão a Soul da Mata, que desenvolve suplementos naturais de alta performance a partir da biodiversidade amazônica; a Mahá Biocosméticos, especializada em cosmetologia capilar com insumos regionais; a Reinterra, que apresenta um sistema de desidratação nutritiva a partir de excedentes agrícolas; e a Alter do Chão Wine, responsável pelo desenvolvimento do primeiro vinho tinto produzido à base de açaí. A temporada também apresenta a Cariátides, iniciativa que une artes plásticas, computação e realidades imersivas para democratizar o acesso à cultura; a Nativus Probióticos, que produz bebidas probióticas a partir de frutas amazônicas; a Cuia Nanofilter, que utiliza resíduos orgânicos na produção de filtros ecológicos para tratamento de água; e a BioStrepto, projeto de biotecnologia que transforma resíduos industriais em princípios ativos voltados à regeneração de ecossistemas. 

Vinicius Villare destaca o diferencial do projeto gravado a bordo de um barco no Tapajós.

“O grande diferencial desse projeto é a origem desses jovens: todos são locais, vindos de diferentes realidades de Santarém, Belterra, Aveiro e de comunidades ribeirinhas. São jovens que acessaram a educação técnica e universitária e agora estão transformando a realidade da sua própria região através do empreendedorismo em bioeconomia. Eles trazem um diferencial competitivo único para o mercado e mostram a força da nossa juventude”. 

Além de apresentar histórias de empreendedorismo e inovação, o podcast busca ampliar a visibilidade de iniciativas desenvolvidas fora dos grandes centros urbanos, destacando experiências que surgem na região do Tapajós. 

“Nossa proposta é inverter o eixo da narrativa tradicional sobre a Amazônia. Não queremos apenas falar sobre a região, mas sim ecoar as vozes de quem está na linha de frente criando soluções práticas. Gravar em um barco no Tapajós nos permitiu estar no mesmo compasso do rio e de jovens que movem a economia viva da floresta”Isabelle Maciel, jornalista e apresentadora do podcast.

O projeto conta com o apoio institucional da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e é realizado por meio do Sistema Nacional de Cultura, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. 

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