Gravado a bordo de uma embarcação regional que percorreu o rio Tapajós, o podcast “Vozes da Inovação no Tapajós” acaba de lançar sua primeira temporada com oito episódios dedicados a histórias de jovens empreendedores da bioeconomia amazônica.
Disponível gratuitamente no Spotify , a série apresenta iniciativas desenvolvidas por moradores da região que combinam inovação, sustentabilidade e geração de renda.
Esqueça os estúdios tradicionais com isolamento acústico de espuma e paredes de concreto. No Tapajós, no coração da Amazônia, a gravação aconteceu em movimento, acompanhando o ritmo do rio e dos territórios amazônicos.
O podcast “Vozes da Inovação no Tapajós” traz uma proposta jornalística imersiva, com episódios registrados de forma itinerante a bordo de uma embarcação regional. Navegando pelas águas da região, o projeto ecoa as vozes de jovens periféricos, ribeirinhos, empreendedores e cientistas que desenvolvem soluções ligadas à bioeconomia amazônica.

A produção independente foi idealizada e conduzida pelos comunicadores santarenos Isabelle Maciel (jornalista e radialista) e Vinicius Villare (publicitário e produtor cultural). Amigos desde os seis anos de idade, a dupla uniu a vivência de infância em Santarém, no oeste do Pará, à discussão sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável para criar um projeto de comunicação comunitária voltado às iniciativas e narrativas que surgem nos próprios territórios amazônicos.
O podcast mostra como jovens empreendedores da região unem conhecimentos tradicionais, tecnologias sociais, pesquisa científica, biotecnologia e inovação para desenvolver produtos e serviços ligados à sociobiodiversidade amazônica, criando cadeias de valor limpas e gerando autonomia financeira enquanto mantém a floresta em pé.
“O potencial econômico da bioeconomia na Amazônia é estimado em 40 bilhões de reais anuais. Quando o jovem estudante entende que manter a floresta em pé é gerar ativos, recursos e transformação social, nós quebramos um paradigma histórico. Historicamente colocada à margem dos grandes debates econômicos, a Amazônia hoje atrai os olhares do mundo, e a nossa juventude precisa participar esse processo. Afinal, a floresta é nossa casa, nós nascemos aqui e sabemos como cuidar dela e transformá-la na nossa maior ferramenta de futuro”, pontua Vinicius Villare, publicitário e apresentador do podcast.
Ao longo da temporada, o programa apresenta oito iniciativas lideradas por jovens empreendedores do oeste do Pará. Os episódios abordam projetos voltados à produção de alimentos funcionais, cosméticos naturais, reaproveitamento de resíduos, biotecnologia ambiental, bebidas probióticas, tecnologia imersiva e soluções para tratamento de água.
Entre os destaques estão a Soul da Mata, que desenvolve suplementos naturais de alta performance a partir da biodiversidade amazônica; a Mahá Biocosméticos, especializada em cosmetologia capilar com insumos regionais; a Reinterra, que apresenta um sistema de desidratação nutritiva a partir de excedentes agrícolas; e a Alter do Chão Wine, responsável pelo desenvolvimento do primeiro vinho tinto produzido à base de açaí. A temporada também apresenta a Cariátides, iniciativa que une artes plásticas, computação e realidades imersivas para democratizar o acesso à cultura; a Nativus Probióticos, que produz bebidas probióticas a partir de frutas amazônicas; a Cuia Nanofilter, que utiliza resíduos orgânicos na produção de filtros ecológicos para tratamento de água; e a BioStrepto, projeto de biotecnologia que transforma resíduos industriais em princípios ativos voltados à regeneração de ecossistemas.
Vinicius Villare destaca o diferencial do projeto gravado a bordo de um barco no Tapajós.
“O grande diferencial desse projeto é a origem desses jovens: todos são locais, vindos de diferentes realidades de Santarém, Belterra, Aveiro e de comunidades ribeirinhas. São jovens que acessaram a educação técnica e universitária e agora estão transformando a realidade da sua própria região através do empreendedorismo em bioeconomia. Eles trazem um diferencial competitivo único para o mercado e mostram a força da nossa juventude”.
Além de apresentar histórias de empreendedorismo e inovação, o podcast busca ampliar a visibilidade de iniciativas desenvolvidas fora dos grandes centros urbanos, destacando experiências que surgem na região do Tapajós.
“Nossa proposta é inverter o eixo da narrativa tradicional sobre a Amazônia. Não queremos apenas falar sobre a região, mas sim ecoar as vozes de quem está na linha de frente criando soluções práticas. Gravar em um barco no Tapajós nos permitiu estar no mesmo compasso do rio e de jovens que movem a economia viva da floresta”, Isabelle Maciel, jornalista e apresentadora do podcast.
O projeto conta com o apoio institucional da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e é realizado por meio do Sistema Nacional de Cultura, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
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