Municípios do Marajó lançam campanha integrada para combater impactos climáticos - Estado do Pará Online

Municípios do Marajó lançam campanha integrada para combater impactos climáticos

Campanha “Marajó unido pelo clima” reúne prefeituras locais e ministérios federais para estruturar a proteção de sistemas agroflorestais e comunidades tradicionais

Fonte: Divulgação

Os municípios de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, no Arquipélago do Marajó, vão lançar oficialmente a campanha “Marajó Unido pelo Clima” na próxima sexta-feira (29). O evento vai reunir prefeitos, secretários municipais e representantes dos governos estadual e federal no Auditório Carlos Augusto Nunes Gouveia, em Soure, a partir das 9h.

O objetivo do encontro, intitulado “Gestores pelo Clima”, é criar uma rede intermunicipal de governança para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas na região insular. O Marajó é considerado um dos territórios mais vulneráveis do Pará, onde secas severas e cheias intensas já impactam diretamente a mobilidade, a saúde e a produção agroecológica local.

Os trabalhos técnicos começam na quinta-feira (28), no Instituto Caruanas, com uma sessão preparatória dos Comitês Municipais de Ação Climática. Os grupos vão finalizar as propostas institucionais que serão apresentadas aos gestores executivos.

Articulação institucional e comunitária

A iniciativa é coordenada pelo Projeto Marajó Resiliente, fruto de uma parceria entre a Fundação Avina, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e as administrações municipais. A mesa de abertura contará com os prefeitos Paulo Victor (Soure), Valentim Lucas de Oliveira (Salvaterra) e Jaime da Silva Barbosa (Cachoeira do Arari).

A mobilização conta com o apoio estratégico do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Agência de Cooperação Alemã (GIZ). Lanna Peixoto, coordenadora técnica da Fundação Avina, ressaltou o foco da campanha:

“A campanha nasce com o objetivo de mobilizar gestores públicos e comunidades do Marajó para uma resposta mais assertiva e integrada aos impactos das mudanças climáticas. Buscamos dar visibilidade aos compromissos já assumidos”, explicou Lanna.

O analista socioambiental do IEB, Marcelo Alves, reforçou que o encontro foi planejado por meio de uma construção participativa para institucionalizar os mecanismos de defesa ambiental diretamente no organograma das prefeituras do Marajó Oriental.

Soluções práticas do território

Além de debater metas burocráticas, o projeto pretende dar escala a soluções sustentáveis que já são executadas dentro das comunidades tradicionais, quilombolas e por coletivos de mulheres marajoaras, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs).

A proposta é unir o conhecimento tradicional marajoara com o suporte governamental para conter os danos ecológicos que avançam sobre os ecossistemas locais. A secretária de Meio Ambiente de Cachoeira do Arari, Nazaré Amador, defendeu a união do bloco de municípios:

“É uma voz uníssona dos três municípios em defesa de seus territórios fragilizados pela erosão costeira, inundações severas, potabilidade da água, desflorestamentos e inequalities, visando soluções que amparem a resiliência climática”, concluiu a secretária.

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