O governo federal anunciou nesta segunda-feira (25) a criação do Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro, iniciativa que pretende transformar o setor audiovisual em um eixo estratégico da economia nacional. A proposta prevê linhas de crédito específicas, incentivos públicos e um plano de exportação voltado para produções brasileiras, integrando oficialmente o audiovisual à política da Nova Indústria Brasil (NIB).
Lançada em janeiro de 2024, a NIB reúne instrumentos de política industrial como subsídios, financiamentos com juros reduzidos, incentivos tributários e ampliação de investimentos federais para estimular setores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
Durante evento realizado no Rio de Janeiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o audiovisual brasileiro já possui impacto econômico superior ao de setores industriais tradicionais.
Segundo o ministro, o segmento representa atualmente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e emprega mais do que a indústria automotiva nacional. Ele também destacou o potencial multiplicador da atividade econômica.
“Para cada R$ 10 milhões produzidos no audiovisual, são gerados R$ 12 milhões no PIB brasileiro”, afirmou.
A política será lançada oficialmente no próximo sábado (30), em cerimônia no Rio de Janeiro com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Audiovisual passa a ser tratado como indústria estratégica
A inclusão do setor na Nova Indústria Brasil representa uma mudança na forma como o Estado brasileiro enxerga a produção audiovisual. Até então tradicionalmente associada apenas à cultura e ao entretenimento, a área passa a ser incorporada à estratégia nacional de desenvolvimento econômico e industrial.
A proposta do governo é estruturar uma cadeia produtiva capaz de gerar empregos, inovação tecnológica, circulação de capital e competitividade internacional. O plano também prevê articulação com instituições financeiras públicas, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, para ampliar o acesso ao crédito para produtoras e empresas do setor.
O objetivo é fortalecer desde pequenas produtoras independentes até grandes projetos de cinema, streaming e conteúdo digital, ampliando a capacidade de exportação das produções nacionais.
Governo mira expansão internacional e fortalecimento do soft power brasileiro
Além da dimensão econômica, o programa também busca ampliar a presença cultural do Brasil no mercado internacional por meio do chamado soft power, conceito utilizado para definir a capacidade de um país influenciar o cenário global através da cultura, entretenimento, valores e imagem internacional.
A estratégia segue modelos adotados por países como Coreia do Sul, Índia e China, que utilizaram o audiovisual como ferramenta de expansão econômica e fortalecimento de influência cultural no exterior.
A presidente da Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual (Fica), Walkiria Barbosa, citou o caso sul-coreano como referência para o Brasil.
“Era um país que ninguém conhecia há 20 anos e hoje, por meio do audiovisual, o mundo consome tudo de lá, inclusive os produtos de beleza. Nós podemos fazer exatamente o que eles fizeram”, afirmou.
Nos últimos anos, produções sul-coreanas impulsionaram setores como turismo, moda, música, cosméticos e tecnologia, consolidando o país asiático como potência cultural global. A avaliação do governo federal e de representantes do setor é de que o Brasil possui potencial semelhante por conta da diversidade cultural, capacidade criativa e alcance internacional da música e do entretenimento nacional.
Economia criativa e inovação entram no centro da política industrial
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, afirmou que o fortalecimento do audiovisual pode ampliar a geração de riqueza, empregos e inovação tecnológica no país.
Segundo ele, o setor possui capacidade de dialogar diretamente com a economia digital, plataformas de streaming e novos modelos de negócios ligados à tecnologia e produção de conteúdo.
A expectativa do governo é que, com acesso a crédito, incentivos estruturados e políticas de exportação, o audiovisual brasileiro deixe de ocupar apenas um espaço cultural e passe a ser consolidado como uma indústria estratégica para o desenvolvimento econômico e para a projeção internacional do Brasil.
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