A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a suspensão da fabricação e o recolhimento de produtos da Ypê têm relação com o histórico de contaminação microbiológica registrado na empresa desde 2025.
A medida atinge todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes produzidos pela unidade da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após uma inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária. A fiscalização avaliou as linhas de produtos líquidos fabricadas na unidade.
Durante a ação, os fiscais identificaram falhas consideradas relevantes nos sistemas de garantia da qualidade, controle microbiológico, limpeza, sanitização e validação de processos industriais.
De acordo com a agência, os problemas representam descumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) e podem gerar risco sanitário associado à possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.
A Anvisa afirmou que a nova fiscalização foi motivada pelo histórico da empresa e por elementos que indicavam a necessidade de reavaliar as condições de fabricação da unidade.
Ypê já havia sido alvo de medidas da Anvisa em 2024 e 2025
Esta não é a primeira vez que ocorre uma ação sanitária envolvendo produtos da Ypê nos últimos três anos.
Em novembro de 2025, a empresa realizou um recolhimento voluntário de lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos das linhas Ypê Express, Tixan Ypê e Ypê Power Act.
Já em 2024, a Anvisa também determinou a suspensão de lotes de detergentes da marca após análises detectarem risco potencial de contaminação microbiológica durante o monitoramento da produção.
Segundo a agência, os episódios anteriores passaram a integrar o histórico regulatório utilizado na avaliação de risco sanitário realizada neste ano.
O que é a bactéria identificada nos produtos
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria encontrada em ambientes úmidos, como água, solo e superfícies molhadas. Ela é considerada oportunista e costuma oferecer maior risco para pessoas imunossuprimidas.
Pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas com HIV sem controle adequado e usuários de medicamentos imunossupressores estão entre os grupos mais vulneráveis.
De acordo com referências médicas citadas na investigação, a bactéria pode causar infecções de pele, urinárias e respiratórias, principalmente em pessoas com baixa imunidade.
O que diz a Ypê
A Ypê afirmou que recebeu a decisão da Anvisa com “indignação” e classificou a medida como “arbitrária e desproporcional”. A empresa informou que irá recorrer.
Em nota, a fabricante declarou possuir testes e laudos técnicos independentes que comprovariam a segurança dos produtos das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes.
“A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, informou a empresa.
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