O governo da Espanha confirmou que irá repatriar os passageiros saudáveis do cruzeiro MV Hondius, navio de luxo que enfrenta um surto de hantavírus em alto-mar. A embarcação permanece isolada desde domingo (3), na costa de Cabo Verde, após o registro de mortes e casos suspeitos da doença entre pessoas a bordo.
Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Monica Garcia, o navio deve chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, dentro de até três dias. Após o desembarque, passageiros sem sintomas serão enviados de volta aos seus países de origem. Já os 14 cidadãos espanhóis presentes no cruzeiro serão encaminhados para quarentena em um hospital militar em Madri, onde permanecerão sob monitoramento médico pelo período determinado pelos protocolos sanitários.
O caso mobilizou autoridades internacionais de saúde devido à gravidade da situação e à possibilidade de transmissão do hantavírus entre humanos dentro do navio, hipótese considerada rara e que está sendo investigada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A suspeita envolve a cepa Andes, conhecida por permitir transmissão interpessoal em situações específicas.
Até o momento, três mortes foram confirmadas: um casal holandês e um cidadão alemão. Além disso, oito pessoas são consideradas casos suspeitos da doença, incluindo um passageiro suíço que foi transferido para tratamento em Zurique, na Suíça. A OMS informou que três infecções já foram confirmadas por exames laboratoriais.
O avanço do surto também gerou preocupação política e sanitária nas Ilhas Canárias. Autoridades locais demonstraram resistência em receber a embarcação por receio de disseminação da doença no arquipélago espanhol.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Em casos graves, a doença pode comprometer os pulmões e apresentar alta taxa de letalidade.
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