Uma pesquisa inédita realizada no Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, no sudeste do Pará, está mudando o que se sabia sobre a vegetação local. O estudo, conduzido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, tem como foco o diagnóstico da flora da unidade de conservação, analisando desde a composição das espécies até a estrutura da vegetação.
A iniciativa conta com apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), que disponibilizou a estrutura do parque para viabilizar o trabalho de campo. O objetivo central é entender melhor as características da região, considerada estratégica por estar em uma zona de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia, um cenário que favorece alta diversidade biológica.
E foi justamente essa riqueza que surpreendeu os pesquisadores. Durante o levantamento, foram encontrados três exemplares de ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus), espécie ameaçada de extinção e que, até então, não havia sido registrada na área do parque.

(Larissa Soares/Ideflor-Bio)
O achado reforça a importância do estudo, especialmente diante de lacunas históricas no conhecimento científico da região. Pesquisas mais antigas, segundo os cientistas, classificaram de forma imprecisa o Cerrado local, o que acabou limitando o entendimento da diversidade vegetal ao longo dos anos.
O trabalho integra o Projeto INCT NEXUS, que investiga como ações humanas influenciam os processos de regeneração da floresta amazônica em diferentes contextos de uso da terra. O projeto é coordenado pelos pesquisadores Ima Vieira e Marcelo Tabarelli.
Além das descobertas já alcançadas, o INCT NEXUS prevê mais de 20 metas voltadas à pesquisa ecológica, formação acadêmica e preservação da biodiversidade nos próximos cinco anos, consolidando a região como um dos principais laboratórios naturais para estudos ambientais na Amazônia.
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