Deputados federais que atuam contra o fim da escala 6×1 acumulam 797 faltas não justificadas na Câmara dos Deputados desde o início da atual legislatura, em 1º de fevereiro de 2023. O levantamento exclusivo da Revista Fórum cruza dados oficiais de assiduidade com o posicionamento de 155 parlamentares identificados por discursos, votos e articulações políticas contrárias à redução da jornada de trabalho.
Ao todo, esse grupo soma 3.581 ausências em sessões plenárias. Desse total, 2.784 faltas foram abonadas dentro das regras regimentais, enquanto 797 ocorreram sem qualquer justificativa formal.
Os números colocam em evidência a frequência parlamentar justamente entre os deputados que se mobilizam para manter o atual modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
Ranking de faltas sem justificativa
O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) lidera a lista, com 41 faltas não justificadas. Em seguida aparecem:
- Magda Mofatto (PL-GO): 30
- Duda Ramos (Podemos-RR): 29
- Vicentinho Júnior (PSDB-TO): 28
- Josivaldo JP (PSD-MA): 27
O levantamento também mostra ausências de parlamentares com projeção nacional e forte presença no debate público. Entre eles estão:
- Delegado Éder Mauro (PL-PA): 19
- Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG): 17
- Ricardo Salles (Novo-SP): 16
- Filipe Barros (PL-PR): 15
- Kim Kataguiri (União-SP): 10
- Mario Frias (PL-SP): 9
- Gustavo Gayer (PL-GO): 8
Metodologia da apuração
O recorte não inclui todos os deputados da Câmara, nem se limita a votações nominais. A metodologia considera parlamentares que se posicionaram publicamente contra o fim da escala 6×1 ou atuaram nos bastidores para dificultar o avanço da proposta.
Depois desse filtro político, os nomes foram cruzados com o sistema oficial de presença da Câmara dos Deputados.
Por que o foco está nas 797 faltas
Ausências motivadas por missão oficial, licença médica ou luto familiar são previstas no regimento interno e podem ser justificadas. O foco do levantamento recai exclusivamente sobre faltas sem justificativa legal registrada.
Pelas regras da Câmara, esse tipo de ausência pode gerar desconto salarial e, em casos extremos e recorrentes, até abertura de processo por quebra de decoro parlamentar.
Debate cresce com PEC do fim da escala 6×1
O levantamento ganha relevância em meio ao avanço da PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe mudanças na jornada de trabalho e recoloca o tema no centro da pauta nacional.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou apoio político para análise da proposta. Embora a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tenha sido adiada, uma nova data já foi definida para a apreciação.
Com isso, cresce também o escrutínio público sobre os parlamentares que resistem à redução da jornada e, ao mesmo tempo, acumulam faltas sem explicação no Congresso Nacional.
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