Excesso de chuvas pressiona preço do feijão e encarece cesta básica no país - Estado do Pará Online

Excesso de chuvas pressiona preço do feijão e encarece cesta básica no país

Em Belém, o feijão do tipo carioca teve aumento expressivo de até 21,48%, o maior registrado entre as capitais

O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras tem impactado diretamente o preço dos alimentos no Brasil, com destaque para o feijão, que registrou alta em todas as capitais. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e da Companhia Nacional de Abastecimento.

De acordo com o levantamento, os custos da cesta básica aumentaram nas 27 capitais brasileiras. A cidade de São Paulo segue com o maior valor médio, de R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta a cesta mais barata, com média de R$ 598,45.

Feijão lidera alta de preços

Entre os itens que mais pesaram no bolso do consumidor estão o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite. No caso dos três primeiros, o principal fator foi o impacto das chuvas, que dificultaram a colheita e reduziram a oferta.

Em Belém, por exemplo, o feijão do tipo carioca teve aumento expressivo de até 21,48%, o maior registrado entre as capitais.

Segundo especialistas, além das dificuldades climáticas, houve redução da área plantada e expectativa de menor produção na segunda safra, o que contribuiu para a elevação dos preços.

Impacto no orçamento das famílias

Com o salário mínimo atual de R$ 1.621, o trabalhador precisa, em média, de cerca de 109 horas de trabalho para adquirir a cesta básica nas capitais.

O estudo aponta ainda que:

  • Em março de 2026, o trabalhador comprometeu 48,12% da renda líquida com a cesta básica;
  • Em fevereiro, esse percentual era de 46,13%;
  • Em março de 2025, o índice era maior: 52,29%.

O tempo médio necessário para comprar os alimentos também aumentou, passando de 93 horas e 53 minutos em fevereiro para 97 horas e 55 minutos em março.

Chuvas e produção agrícola

O impacto climático tem sido determinante para o cenário atual. Regiões produtoras como Paraná e Bahia enfrentaram perdas na lavoura devido ao excesso de chuva, reduzindo significativamente a produtividade.

Em alguns casos, produtores que esperavam colher até 60 sacas registraram apenas 30 ou 40, o que diminui a oferta e pressiona os preços no mercado.

Perspectivas para os próximos meses

A tendência é que os preços do feijão, especialmente o tipo carioca, possam recuar a partir do segundo semestre, entre agosto e outubro, com a chegada da safra irrigada.

Ainda assim, há incertezas no setor, principalmente diante do aumento nos custos de produção, como fertilizantes e combustíveis, além da possibilidade de alta global nos preços dos alimentos.

Salário mínimo ideal

O levantamento também estima o valor necessário para que uma família de quatro pessoas consiga arcar com todas as despesas básicas. Em março, esse valor seria de R$ 7.425,99, o equivalente a 4,58 vezes o salário mínimo atual.

O cenário reforça o impacto da inflação dos alimentos no custo de vida e evidencia os desafios enfrentados pelas famílias brasileiras, especialmente em períodos de instabilidade climática.

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