MPF pede que ação sobre a Foz do Amazonas seja julgada no Pará por impactos ambientais - Estado do Pará Online

MPF pede que ação sobre a Foz do Amazonas seja julgada no Pará por impactos ambientais

Órgão aponta estado como centro dos efeitos e cobra revisão no licenciamento ambiental

Embratur

O avanço da exploração de petróleo na Foz do Amazonas entrou em novo capítulo após o Ministério Público Federal pedir que a ação judicial sobre o caso seja analisada no Pará. Para o órgão, é no território paraense que se concentram os principais impactos da atividade.

A solicitação foi feita à Justiça Federal e envolve o licenciamento concedido pelo Ibama à Petrobras para perfuração no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

Mesmo com o ponto de exploração mais próximo do Amapá, o MPF sustenta que toda a estrutura logística da operação está ligada ao Pará, o que inclui desde a saída de embarcações até o destino de resíduos.

Segundo o órgão, Belém deve funcionar como base operacional, com circulação frequente de embarcações em áreas sensíveis, como a Baía do Guajará e regiões do Marajó, onde há forte presença de pesca artesanal.

O impacto, de acordo com a ação, não se limita à capital. Ao menos 17 municípios paraenses aparecem na área de influência, atingidos direta ou indiretamente pela dinâmica do empreendimento.

Outro ponto levantado pelo MPF é o acesso das comunidades ao processo judicial. Manter a tramitação fora do Pará pode dificultar a participação de populações tradicionais, sobretudo pescadores e moradores de áreas afetadas.

Na avaliação dos procuradores, levar o caso para outro estado cria barreiras logísticas e econômicas, o que comprometeria a coleta de depoimentos e a escuta dessas comunidades.

A ação também questiona o próprio licenciamento. O MPF aponta falhas nos estudos apresentados, incluindo a ausência de medidas mais robustas para compensar prejuízos à pesca.

Entre os pedidos feitos à Justiça estão a suspensão da licença de operação, revisão da área de impacto e novos estudos ambientais, além da criação de um plano de compensação para trabalhadores afetados.

O órgão ainda cobra a realização de consulta prévia às comunidades tradicionais, conforme normas internacionais, antes da continuidade do projeto.

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