A corda do Círio de Nazaré 2026 seguirá sendo produzida no Pará pelo quarto ano consecutivo. A Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) renovou a parceria com a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), responsável pela fabricação do item utilizado nas procissões do Círio e da Trasladação.
O acordo foi firmado no último dia 6 de março, em Castanhal e mantém a produção com fibras de malva amazônica, matéria-prima cultivada na própria região. A iniciativa reforça a valorização da cadeia produtiva local e envolve diretamente centenas de trabalhadores paraenses.
A corda terá 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros (uma para cada procissão), com 60 milímetros de diâmetro e 32 nós e argolas. Para a edição de 2026, haverá reforço nesses pontos, com o objetivo de garantir maior segurança e evitar intercorrências durante o percurso. A entrega está prevista para setembro.
A produção da corda envolve cerca de 300 produtores rurais de municípios do nordeste paraense, como Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço, Irituia, São Miguel do Guamá, Paragominas e Castanhal. O processo começa no campo, com etapas como preparo da área, plantio, colheita, afogamento, lavagem e secagem da malva. Após o beneficiamento inicial, a fibra é encaminhada para a indústria, onde passa por processos como amaciamento, cardagem, fiação, torção e acabamento até a formação da corda.

Para a fabricação, é utilizada aproximadamente uma tonelada de malva, transformada em um material resistente e adequado para uso nas procissões. Segundo a Companhia Têxtil de Castanhal, a corda passa por testes rigorosos de qualidade e resistência, incluindo ensaios que apontaram capacidade de suportar cargas elevadas, garantindo segurança aos milhares de fiéis que participam do Círio.
Além dos testes laboratoriais, o processo produtivo é acompanhado por equipes de controle de qualidade, com inspeções contínuas em todas as etapas. Para 2026, também foram adotados ajustes técnicos nos nós e argolas, visando melhor distribuição de carga e maior durabilidade do material, sem alteração da matéria-prima.
A mudança para a utilização da malva amazônica ocorreu a partir de 2023, substituindo o sisal utilizado anteriormente e produzido fora do estado. A adoção da fibra regional trouxe benefícios como maior maciez ao toque, proporcionando mais conforto aos promesseiros, além de fortalecer a economia local.
Um dos principais símbolos do Círio de Nazaré, a corda integra a festividade desde 1885, quando passou a ser utilizada para ajudar na condução da berlinda após uma enchente dificultar o trajeto da procissão. Desde então, tornou-se um elemento de forte significado religioso, representando a ligação entre Nossa Senhora de Nazaré e os devotos, reunindo milhares de pessoas todos os anos.
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