Corda do Círio 2026 será produzida no Pará pelo quarto ano consecutivo - Estado do Pará Online

Corda do Círio 2026 será produzida no Pará pelo quarto ano consecutivo

Corda de 800 metros será utilizada nas duas principais romarias do Círio de Nazaré 2026

Foto: Bruno Carachesti

A corda do Círio de Nazaré 2026 seguirá sendo produzida no Pará pelo quarto ano consecutivo. A Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) renovou a parceria com a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), responsável pela fabricação do item utilizado nas procissões do Círio e da Trasladação.

O acordo foi firmado no último dia 6 de março, em Castanhal e mantém a produção com fibras de malva amazônica, matéria-prima cultivada na própria região. A iniciativa reforça a valorização da cadeia produtiva local e envolve diretamente centenas de trabalhadores paraenses.

A corda terá 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros (uma para cada procissão), com 60 milímetros de diâmetro e 32 nós e argolas. Para a edição de 2026, haverá reforço nesses pontos, com o objetivo de garantir maior segurança e evitar intercorrências durante o percurso. A entrega está prevista para setembro.

A produção da corda envolve cerca de 300 produtores rurais de municípios do nordeste paraense, como Nova Esperança do Piriá, Capitão Poço, Irituia, São Miguel do Guamá, Paragominas e Castanhal. O processo começa no campo, com etapas como preparo da área, plantio, colheita, afogamento, lavagem e secagem da malva. Após o beneficiamento inicial, a fibra é encaminhada para a indústria, onde passa por processos como amaciamento, cardagem, fiação, torção e acabamento até a formação da corda.

Produção reúne agricultores e trabalhadores da indústria em diferentes municípios do Pará. (Foto: Bruno Carachesti)

Para a fabricação, é utilizada aproximadamente uma tonelada de malva, transformada em um material resistente e adequado para uso nas procissões. Segundo a Companhia Têxtil de Castanhal, a corda passa por testes rigorosos de qualidade e resistência, incluindo ensaios que apontaram capacidade de suportar cargas elevadas, garantindo segurança aos milhares de fiéis que participam do Círio.

Além dos testes laboratoriais, o processo produtivo é acompanhado por equipes de controle de qualidade, com inspeções contínuas em todas as etapas. Para 2026, também foram adotados ajustes técnicos nos nós e argolas, visando melhor distribuição de carga e maior durabilidade do material, sem alteração da matéria-prima.

A mudança para a utilização da malva amazônica ocorreu a partir de 2023, substituindo o sisal utilizado anteriormente e produzido fora do estado. A adoção da fibra regional trouxe benefícios como maior maciez ao toque, proporcionando mais conforto aos promesseiros, além de fortalecer a economia local.

Um dos principais símbolos do Círio de Nazaré, a corda integra a festividade desde 1885, quando passou a ser utilizada para ajudar na condução da berlinda após uma enchente dificultar o trajeto da procissão. Desde então, tornou-se um elemento de forte significado religioso, representando a ligação entre Nossa Senhora de Nazaré e os devotos, reunindo milhares de pessoas todos os anos.

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