A rede municipal de saúde de Belém começou a aplicar neste sábado (7) o implante contraceptivo conhecido como Implanon durante uma ação especial do Março Lilás realizada na Unidade Especializada em Saúde da Mulher (URE Mulher), no bairro de Nazaré.
Segundo informações divulgadas pela Agência Belém, a iniciativa marca o início da implantação do método na capital paraense. A previsão da Secretaria Municipal de Saúde de Belém é disponibilizar gratuitamente cerca de quatro mil unidades do implante pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da segunda quinzena de março.
Método de longa duração
O implante subdérmico é considerado um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente. O dispositivo é inserido sob a pele do braço e libera o hormônio etonogestrel, responsável por impedir a ovulação e, consequentemente, evitar a gravidez.
A proteção oferecida pelo implante pode durar até três anos, sem necessidade de uso diário ou mensal, o que reduz as chances de falhas no planejamento reprodutivo.
Onde e como ter acesso
O serviço de aplicação do implante estará disponível em quatro unidades de referência em planejamento reprodutivo em Belém:
- UBS Marambaia
- UBS Providência
- UBS Combu
- URE Mulher
Para receber o método pelo SUS, a usuária deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), passar por avaliação e, se indicado, será encaminhada para uma das unidades que realizam a inserção.
Grupos prioritários
Neste primeiro momento, a estratégia da Secretaria Municipal de Saúde de Belém prevê prioridade para públicos considerados mais vulneráveis. Entre os grupos atendidos inicialmente estão:
- mulheres em situação de rua;
- adolescentes de 14 a 19 anos;
- mulheres que vivem com HIV;
- mulheres privadas de liberdade;
- pacientes que tiveram pré-natal de alto risco;
- mulheres com transtornos ou condições relacionadas à saúde mental.
Segundo a coordenadora da área técnica de saúde da mulher da secretaria, Aline Gobbo, a expectativa é que cerca de quatro mil mulheres sejam atendidas nessa primeira etapa da implantação do método.
A iniciativa também está alinhada às metas da Organização das Nações Unidas (ONU) voltadas à redução da mortalidade materna e ampliação do acesso ao planejamento reprodutivo.
Capacitação dos profissionais
Para garantir a implantação segura do método, médicos e enfermeiros da rede municipal estão passando por capacitação técnica conduzida por profissionais da Universidade Federal do Pará.
A formação prepara os profissionais para realizar a inserção do implante e acompanhar as pacientes após o procedimento. A expectativa é que a qualificação também seja ampliada futuramente para outros municípios do estado.
Procedimento rápido
A aplicação do implante é considerada simples e pouco invasiva, com duração média de cerca de 10 minutos.
Antes da inserção, a paciente passa por triagem clínica, com coleta de informações sobre histórico de saúde, ciclo menstrual e última relação sexual, além da realização de teste de gravidez.
Com o resultado negativo, o implante é inserido sob a pele do braço com anestesia local. Após o procedimento, o local recebe um curativo e o braço deve permanecer enfaixado por 24 horas, com recomendação de evitar esforço físico temporariamente.
Nos primeiros meses, algumas usuárias podem apresentar efeitos como acne ou alterações hormonais, que tendem a diminuir conforme o organismo se adapta.
Eficácia e prevenção
Especialistas destacam que o Implanon apresenta taxa de eficácia próxima de 99%, sendo classificado entre os contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC), assim como o DIU de cobre, já oferecido pela rede pública.
Mesmo com a alta eficácia na prevenção da gravidez, profissionais de saúde reforçam que apenas o uso de preservativos protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
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