Cerca de 50 moradores dos municípios de Acará e Bujarú ocuparam, na manhã desta sexta-feira (6), a frente da sede da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), em Belém. O protesto ocorre no mesmo dia em que deve ser transmitida a audiência pública sobre a instalação de um aterro sanitário no município de Acará.
A audiência chegou a ser alvo de contestação judicial. No entanto, o pedido de cancelamento foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), permitindo a continuidade do processo.
Os manifestantes questionam o licenciamento ambiental concedido para o empreendimento. Segundo eles, comunidades quilombolas e diversas nascentes naturais teriam sido omitidas do mapa da área de impacto apresentado no estudo ambiental, o que, de acordo com os moradores, teria facilitado a aprovação do projeto.
Durante o protesto, a moradora do Baixo Acará, Izanete Magno, afirmou que diversas comunidades estariam sendo desconsideradas no estudo apresentado no processo de licenciamento ambiental.
“São muitas comunidades. Só eu trouxe um ônibus e vieram outros de várias localidades, como São Pedro, Arachiteua, Barcelona, Traquateua e Quatro Bocas. A gente se sente apagado dos estudos. Se essa população não existisse, o que esse povo está fazendo aqui hoje? A gente entende que esse projeto é uma monstruosidade contra a natureza, contra a água e contra as comunidades que vivem da terra”, declarou.
A moradora do Baixo Acará, Izanete Magno, criticou o processo de licenciamento do aterro sanitário previsto para o município durante manifestação realizada na manhã desta sexta-feira (6), em frente à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), em Belém. pic.twitter.com/t5aSZOwFee
— Portal Estado do Pará Online (@Estadopaonline) March 6, 2026
A moradora também criticou a forma como a audiência pública será realizada e relembrou episódios de tensão ocorridos durante mobilizações anteriores contra o empreendimento.
“Querem fazer uma audiência online sem a presença do público. Na audiência presencial já não deixaram o povo entrar, imagina agora pela internet. A gente só está lutando pelo que é nosso, pelo nosso direito. Muitas pessoas ficaram feridas na última confusão e, mesmo assim, dizem que o povo é o vilão”, afirmou.
Izanete Magno também destacou que as comunidades dependem diretamente da área onde o empreendimento pode ser instalado e teme impactos ambientais e sociais.
“Lá tem mais de 40 hectares de terra que vão ser desmatados. É onde temos nossos poços artesianos e de onde tiramos nosso sustento com a agricultura familiar. A gente depende da terra. Por isso estamos aqui e vamos continuar lutando, porque não vamos desistir”, disse.
Os participantes do protesto afirmam que a mobilização em frente à sede da Semas busca pressionar o órgão ambiental a revisar o processo de licenciamento e garantir que todas as comunidades potencialmente afetadas sejam consideradas na análise do empreendimento.
A reportagem do EPOL entrou em contato com a Ciclus Amazônia e com a Semas para pedir posicionamento. Confira, na íntegra, os posicionamentos enviados.
Ciclus Amazônia
A Ciclus Amazônia respeita o direito à livre manifestação, assegurado em um ambiente democrático, e reafirma que a continuidade da audiência pública referente ao processo de licenciamento ambiental da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Metropolitana será realizada nesta sexta-feira (06), conforme determinação judicial.
A audiência ocorrerá em formato on-line e será transmitida pelo canal oficial da Ciclus Ambiental no YouTube. A empresa reafirma seu compromisso com o cumprimento das decisões judiciais, com a legalidade e com a transparência no processo de licenciamento ambiental.
Leia também:









Deixe um comentário