Dante Michelini é encontrado morto e decapitado em sítio no Espírito Santo - Estado do Pará Online

Dante Michelini é encontrado morto e decapitado em sítio no Espírito Santo

Absolvido no caso Araceli teve o corpo reconhecido pelo irmão e foi identificado oficialmente por exame papiloscópico

Araceli à esq. e Dante à dir. | Créditos: Reprodução de recortes do jornal A Gazeta

O corpo de Dante Brito Michelini, de 76 anos, foi encontrado decapitado e com sinais de carbonização em um sítio localizado na região de Meaípe, em Guarapari, no litoral sul do Espírito Santo. A descoberta ocorreu na tarde de terça-feira (3), e a identidade da vítima foi confirmada oficialmente pela Polícia Científica nesta quinta-feira (5), após a realização de exame papiloscópico.

Antes da confirmação técnica, o reconhecimento inicial foi feito por um irmão de Dante, que apontou características físicas e as roupas encontradas no local como compatíveis com as da vítima. Conhecido como Dantinho, ele ganhou notoriedade nacional nos anos 1970 por ter sido denunciado no caso Araceli, um dos crimes mais emblemáticos da história do estado.

De acordo com a Polícia Militar, o corpo foi localizado por uma mulher que se apresentou como funcionária do sítio onde a vítima morava. Sem contato com Dante desde janeiro, ela foi até a residência e acionou a polícia ao notar que a casa estava danificada, com janelas e paredes destruídas. No interior do imóvel, os agentes encontraram o corpo em avançado estado de decomposição.

Durante as buscas, equipes chegaram a esvaziar uma piscina na tentativa de localizar a cabeça da vítima, mas nada foi encontrado. A polícia não divulgou informações sobre suspeitos ou motivação do crime até o momento.

Quem era “Dantinho”?

Dante Brito Michelini pertencia a uma família tradicional e influente do Espírito Santo. Em 1973, ele, o pai Dante de Barros Michelini e Paulo Constanteen Helal foram denunciados pelo Ministério Público pelo desaparecimento, estupro e morte da menina Araceli Cabrera Crespo, de oito anos. A criança desapareceu no dia 18 de maio daquele ano, após sair da escola, em Vitória, e foi encontrada morta seis dias depois, com sinais de violência sexual.

Os três chegaram a ser condenados em um primeiro julgamento, em 1980. No entanto, em 1991, uma decisão definitiva da Justiça os absolveu, sob o argumento de que falhas na investigação comprometeram a produção de provas. Nenhum outro suspeito foi responsabilizado e, em 1993, o crime prescreveu.

O assassinato de Dante Michelini passa agora a ser investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias da morte e identificar os responsáveis.

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