Indígenas cobram presença do governo federal em audiência após 14 dias de ocupação em Santarém - Estado do Pará Online

Indígenas cobram presença do governo federal em audiência após 14 dias de ocupação em Santarém

Liderança do povo Arapiun afirma que comunidades aguardam propostas concretas sobre decreto que inclui o rio Tapajós no programa de desestatização

Indígenas do Baixo Tapajós completaram, nesta quarta-feira (4), 14 dias de ocupação no terminal da empresa Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, em protesto contra o Decreto nº 12.600/2025. A mobilização cobra a revogação da norma, que inclui trechos do rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, e exige diálogo presencial com o governo federal.

Segundo Auricélia Arapiun, liderança indígena do povo Arapiun, o movimento aguarda desde o início da ocupação um posicionamento direto das autoridades. “Estamos hoje completando 14 dias aqui na Cargill, desde o dia 22 de janeiro, aguardando posicionamentos presenciais do governo federal. Tivemos a informação de que o governo está em Santarém, mas colocando regras para vir até a ocupação”, afirmou.

A liderança criticou a justificativa de segurança apresentada para limitar o contato com os manifestantes e disse que as comunidades estão abertas ao diálogo.

“É inadmissível o governo chegar em Santarém, onde estamos há 14 dias em uma manifestação pacífica, e recuar. Temos vários questionamentos sobre que tipo de segurança está sendo colocada”, declarou Auricélia, ao destacar a expectativa por propostas objetivas.

Desde janeiro, os povos indígenas reivindicam respeito ao direito de consulta livre, prévia e informada, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), diante de projetos que afetam diretamente o rio Tapajós e os modos de vida das comunidades tradicionais. As lideranças também questionam o avanço de obras e estudos relacionados à hidrovia antes da conclusão do licenciamento ambiental.

Por fim, Auricélia afirmou que o movimento aguarda a mediação do Ministério Público Federal na audiência prevista para esta quarta-feira (4) e espera sair do encontro com encaminhamentos concretos. “Estamos firmes na luta, aguardando as propostas do governo e a forma como ele vai nos ouvir e garantir nossos direitos”, concluiu.

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