Mesmo com queda, Brasil lidera ranking mundial de mortes de pessoas trans em 2025 - Estado do Pará Online

Mesmo com queda, Brasil lidera ranking mundial de mortes de pessoas trans em 2025

Dossiê lançado nesta semana e lembrado no Dia Nacional da Visibilidade Trans aponta redução nos assassinatos, mas reforça persistência da violência estrutural

Na praia, cruzes aparencem enterradas na areia em sinal de protesto pela morte de passoas trans
Tomaz Silva/Ag. Brasil

O Brasil manteve, em 2025, a posição de país com maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo. O dado consta no dossiê anual lançado na segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais e ganha repercussão nesta quinta-feira (29), quando se marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Ao todo, foram registradas 80 mortes violentas ao longo do ano. O número representa queda em relação a 2024, mas, segundo a entidade, não indica mudança estrutural no padrão de violência, que permanece associado à exclusão social, à subnotificação de crimes e à fragilidade das políticas públicas voltadas à população trans.

O levantamento é elaborado a partir do monitoramento diário de notícias, denúncias diretas feitas a organizações da sociedade civil e registros públicos. A Antra avalia que a redução dos homicídios ocorre em um contexto marcado por descrédito nas instituições de segurança e justiça, retração da cobertura midiática e ausência de ações específicas de enfrentamento à transfobia.

Perfil das vítimas e distribuição regional

De acordo com o dossiê, a violência segue concentrada principalmente contra travestis e mulheres trans, em sua maioria jovens, com maior incidência entre pessoas negras. Os casos ocorrem com frequência em áreas urbanas periféricas, onde se combinam vulnerabilidade social, racismo e menor acesso à proteção do Estado.

Em 2025, a maior parte dos assassinatos foi registrada na Região Nordeste, seguida pelo Sudeste, mantendo uma distribuição desigual no território nacional. A análise da série histórica indica que alguns estados permanecem entre os mais letais ao longo dos últimos anos, o que aponta dificuldades persistentes na prevenção, investigação e responsabilização dos crimes.

Violência contra a população LGBT+

O cenário apontado pelo dossiê da Antra é reforçado por dados mais amplos sobre violência contra a população LGBT+. Levantamento do Grupo Gay da Bahia contabilizou 257 mortes violentas no país em 2025, considerando homicídios, suicídios, latrocínios e outras causas.

Embora o total represente redução em relação ao ano anterior, o número mantém o Brasil entre os países com maior incidência de mortes violentas contra pessoas LGBT+ no mundo, segundo o observatório da entidade.

Recomendações e desafios institucionais

Além do diagnóstico, o dossiê reúne recomendações dirigidas ao poder público, ao sistema de justiça e à segurança pública. Entre os pontos destacados estão a ampliação de políticas de proteção que contemplem mulheres trans, o fortalecimento da produção e da transparência de dados oficiais e a adoção de medidas efetivas de prevenção à violência transfóbica.

As organizações avaliam que o volume de estudos e informações disponíveis já é suficiente para orientar ações concretas, mas que a resposta institucional ainda não acompanha a gravidade e a continuidade do problema no país.

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