Indígenas ocupam empresa em Santarém contra dragagem e denunciam 'privatização' do rio Tapajós - Estado do Pará Online

Indígenas ocupam empresa em Santarém contra dragagem e denunciam ‘privatização’ do rio Tapajós

Mobilização reúne cerca de 14 etnias e critica edital publicado em dezembro de 2025, que prevê intervenções no leito do rio sem consulta prévia às comunidades.

Indígenas de aproximadamente 14 etnias ocupam, desde a última sexta-feira (23), as instalações da empresa Cargill, em Santarém, no oeste do Pará. A mobilização é um protesto contra um edital de dragagem do rio Tapajós e outras iniciativas que, segundo os manifestantes, abrem caminho para a “privatização” do rio e para a intensificação de impactos ambientais e sociais na região.

Com gritos de “Tapajós livre”, o movimento denuncia que a dragagem prevista no edital, publicado em dezembro de 2025, pode afetar todo o leito do rio, atingindo diretamente municípios como Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba, Trairão e Jacareacanga. De acordo com os indígenas, os impactos alcançam não apenas as comunidades tradicionais, mas também a população ribeirinha e o bioma amazônico.

Os manifestantes afirmam ainda que o processo avançou sem a realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas, o que, segundo eles, viola a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Para o movimento indígena, a ausência de diálogo compromete direitos territoriais, culturais e ambientais.

A Cargill, multinacional do agronegócio com sede nos Estados Unidos e atuação no escoamento de grãos pelo rio Tapajós, é apontada pelos indígenas como símbolo de um modelo de desenvolvimento associado à expansão da logística da soja e às obras de dragagem na região. A presença da empresa em Santarém tem sido alvo recorrente de críticas de movimentos sociais e ambientais.

Em nota, a Cargill afirmou que não há ocupação dentro de suas operações, mas sim a presença de manifestantes em frente à portaria de caminhões, o que estaria impedindo a entrada e saída de veículos do terminal. A empresa declarou ainda que respeita o direito à manifestação, que atua em conformidade com a legislação brasileira e que a pauta apresentada pelos indígenas trata de temas sobre os quais a companhia não teria ingerência.

A mobilização segue sem previsão de encerramento, enquanto os indígenas cobram a suspensão do edital e a abertura de diálogo com o poder público e os órgãos responsáveis pelas intervenções previstas no rio Tapajós.

Leia também: