Vítima de Bruno Mafra comenta ataques após a condenação: “sempre vão questionar a palavra da mulher” - Estado do Pará Online

Vítima de Bruno Mafra comenta ataques após a condenação: “sempre vão questionar a palavra da mulher”

Vítima afirma que decisão judicial reconheceu os fatos e comenta críticas após divulgação do caso

Foto: reprodução redes sociais

Uma das vítimas do cantor Bruno Mafra se pronunciou publicamente após a confirmação da condenação do artista em segunda instância pela Justiça do Pará. Em um relato publicado nas redes sociais, Melissa Mafra comentou a repercussão do caso e criticou os ataques e questionamentos que surgiram após a decisão judicial.

“Eu sei que vão surgir várias especulações e comentários infelizes. As pessoas sempre vão questionar a palavra da mulher”, afirmou. Segundo ela, a condenação representa o reconhecimento de uma luta que durou anos. “Foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta”, disse.

Melissa também destacou que a decisão não se trata mais de uma denúncia ou suspeita. “É uma condenação em segundo grau, unânime. Os fatos já foram reconhecidos. O que pode ser discutido agora são questões jurídicas, não mais o que aconteceu”, declarou. O caso envolve acusações de abusos cometidos entre 2007 e 2011, quando as vítimas ainda eram menores de idade. As denúncias vieram à tona em 2019 e resultaram na abertura de processo judicial. Em 2024, o cantor foi condenado em primeira instância a mais de 30 anos de prisão em regime fechado.

A defesa recorreu da decisão, mas, em março de 2026, o Tribunal de Justiça do Pará manteve a condenação por unanimidade. A Justiça considerou válidos os depoimentos das vítimas e não identificou irregularidades no processo. Ainda cabe recurso aos tribunais superiores. Mesmo após a decisão, Bruno Mafra se declarou inocente e afirmou confiar na Justiça. A defesa sustenta que o caso ainda pode ser revisto em instâncias superiores.

No desabafo, Melissa também relatou o impacto emocional do processo e afirmou viver um sentimento de luto. “Hoje eu enterrei o meu genitor. Eu queria que ele tivesse sido apenas um pai ausente, mas não foi”, disse. Ela ainda afirmou que decidiu se manifestar como forma de alertar outras vítimas. “É possível denunciar mesmo depois de adulta. A gente só entende muitas coisas quando cresce”, destacou.

A vítima também rebateu comentários que levantam dúvidas sobre o caso ou associam a denúncia a interesses financeiros. “Ninguém ganha nada com isso. É uma situação extremamente dolorosa”, afirmou. Apesar das dificuldades, Melissa disse que conseguiu reconstruir a própria vida e deixou uma mensagem para outras pessoas que passaram por situações semelhantes. “Você não é o que aconteceu com você. Existe vida depois disso”, declarou.

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