A jornalista e ativista indígena, Nice Tupinambá publicou nesta terça-feira (31) um vídeo nas redes sociais onde criticou a Banda AR-15 pelo uso de elementos considerados estereotipados da cultura indígena no novo videoclipe do grupo. O lançamento faz parte de um projeto de homenagem à aparelhagem Tupinambá, que tem seu retorno marcado para abril.
No vídeo, Nice afirma que o objetivo da crítica não é incentivar ataques à banda ou ao gênero musical, mas promover reflexão sobre a forma como os povos indígenas são retratados. Segundo ela, o clipe utiliza referências superficiais e reforça visões equivocadas sobre as culturas originárias.
A ativista chama atenção para o uso de termos considerados pejorativos na canção, como “tribo”, além da caracterização de pessoas não indígenas com adereços tradicionais sem contexto ou participação de representantes desses povos. Para ela, esse tipo de abordagem desconsidera a diversidade cultural e histórica existente no Brasil.
Nice também destacou que os povos indígenas têm conquistado mais espaço para se expressar e que é fundamental respeitar esse protagonismo. “Não é um ataque, mas é um chamado à reflexão. Colocar a mão na consciência e procurar se atualizar. Não custa nada dar ouvidos à voz dos povos indígenas”, declarou.
Segundo a jornalista, muitas dessas práticas são reproduzidas por falta de informação, o que reforça a importância do diálogo e da educação sobre o tema. Ela defende que o termo mais adequado é “povos indígenas”, em vez de “tribos”, e critica a ideia de tratar identidades culturais como fantasia.
Nice ainda sugeriu a regravação do videoclipe com a participação de povos originários, além de adaptação na letra da canção, garantindo maior representatividade e evitando interpretações consideradas ofensivas.
Posicionamento da banda
Após a repercussão, integrantes da Banda AR-15 se manifestaram nas redes sociais. O cantor Harrison Lemos afirmou que o termo “tribo” utilizado na música faz referência ao público fiel da aparelhagem Tupinambá, e não aos povos indígenas.
Já a cantora Carol Lemos declarou que as vestimentas presentes no videoclipe foram inspiradas na figura da cunhã-poranga do Festival de Parintins. Segundo ela, a produção contou com a participação de dançarinos folclóricos. A artista também criticou o posicionamento da jornalista, sugerindo que a repercussão teria motivações políticas.
O caso segue promovendo debate nas redes sociais, dividindo opiniões entre críticas à abordagem cultural do clipe e manifestações de apoio à banda.
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