Representantes do Brasil, Peru, Equador e Colômbia se reuniram no Campus Guamá, da Universidade Federal do Pará (UFPA), para discutir os rumos da Pan-Amazônia no cenário pós-COP 30. O encontro integrou o Seminário “Pan-Amazônia Pós-COP 30: geopolítica da instabilidade, soberania nacional e segurança energética”, realizado no dia 4 de fevereiro.
O evento colocou em pauta os impactos recentes das decisões globais sobre a região amazônica, com debates centrados em governança ambiental, proteção dos territórios, segurança energética e políticas públicas voltadas à Amazônia em um contexto de crescente pressão internacional.
A mesa de abertura reuniu o reitor da UFPA, Gilmar Pereira; o coordenador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), Alfredo Wagner; Giannina Zamora, diretora do Instituto de Investigación de la Biodiversidad “Pachamamata Kamak”; além das professoras Jurandir Novaes e Rosa Acevedo, da UFPA.
Durante o debate, o reitor Gilmar Pereira destacou a necessidade de integração regional. “Este é um momento muito necessário para pensarmos, com seriedade e visão estratégica, o futuro da nossa região. Este evento reforça algo que considero essencial. A Pan-Amazônia precisa se enxergar como um território integrado, com os países dialogando mais e superando barreiras históricas de comunicação e cooperação, algo que ficou evidente até mesmo durante a COP 30”.
O alerta sobre os riscos no período pós-COP também foi enfatizado por Alfredo Wagner, coordenador do PNCSA. “Acabou a COP 30 e, logo depois, vieram os vazamentos de fluidos na fase inicial da exploração (da Foz do Amazonas), o que já pode ser um sinal muito preocupante. Nesse sentido, o Pós-COP foi aterrador para nós”, afirmou, ao comentar os desafios ligados à exploração energética na região.
O seminário funciona como etapa preparatória para o II Colóquio Pan-Amazônico de Povos e Comunidades Tradicionais em Tempos de Ameaças aos Territórios, ampliando o debate sobre soberania, instabilidade geopolítica e defesa dos bens naturais.
A iniciativa é realizada pelo Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), em parceria com instituições brasileiras e internacionais, como a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Universidade Amawtay Wasi, do Equador, e a Universidad Autónoma de Occidente, da Colômbia.
O PNCSA atua no fortalecimento da autocartografia de povos e comunidades tradicionais, utilizando o mapeamento como instrumento político de afirmação identitária, defesa territorial e organização social. A proposta é transformar o conhecimento produzido pelas próprias comunidades em ferramenta estratégica de resistência e visibilidade.








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