Troca no comando da Saúde sinaliza ajuste político do governo em ano eleitoral - Estado do Pará Online

Troca no comando da Saúde sinaliza ajuste político do governo em ano eleitoral

Movimentação na SESPA é tratada como reorganização administrativa e reforço de controle em uma das áreas mais sensíveis da gestão estadual

Agencia Pará

A iminente troca no comando da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), com a saída de Ivete Gadelha Vaz e a indicação de Ualame Machado, é interpretada nos bastidores como um ajuste estratégico do governo em pleno ano eleitoral. Delegado da Polícia Federal e atual secretário de Segurança Pública do Estado, Ualame pode, segundo informações preliminares, acumular os dois cargos, o que reforça a leitura de centralização do comando em áreas consideradas sensíveis.

Fontes do Palácio dos Despachos apontam que a avaliação interna é de que a Sespa passou a demandar um perfil de gestão mais centralizado, com maior capacidade de controle administrativo e articulação política, diante do aumento do escrutínio público característico do período eleitoral.

Ivete assumiu a Sespa em 2023 após a saída do delegado da Polícia Federal licenciado Rômulo Rodovalho, em um contexto de desgaste institucional da pasta. Naquele momento, sua nomeação foi interpretada como tentativa de estabilizar a gestão e reduzir tensões após uma fase marcada por crises.

Mudança de perfil na pasta

A Secretaria de Saúde concentra alto volume de recursos, contratos complexos, gestão de hospitais regionais e judicializações frequentes, além de pressão constante de prefeitos e órgãos de controle. Nesse cenário, a leitura interna é de que o modelo de gestão chegou a um limite operacional, exigindo alteração no eixo de comando.

Com trajetória técnica na área da saúde, Ivete Vaz é associada a um período de reorganização e estruturação da pasta. Já a indicação de Ualame Machado, oriundo da área da segurança pública, é vista como sinal de adoção de um estilo de gestão mais rígido, voltado ao comando, à resposta rápida e ao controle de processos, agora potencialmente concentrados sob uma mesma autoridade.

Ano eleitoral e redução de riscos

Por ocorrer em 2026, ano de eleições gerais, a mudança ganha peso político adicional. A saúde historicamente figura entre as áreas com maior potencial de desgaste para governos em disputa eleitoral, sobretudo quando problemas administrativos ganham visibilidade pública.

Ao promover a troca neste momento, a avaliação é de que o governo busca reduzir riscos, evitar crises em áreas sensíveis e assegurar maior previsibilidade administrativa ao longo do ano. A centralização do comando da Sespa passa a ser vista como estratégia de blindagem política diante do ambiente eleitoral.

Preservação da secretária

Outro elemento que reforça a tese de reorganização é a possibilidade de Ivete Vaz ser realocada para uma função estratégica dentro do próprio governo. A saída da Sespa, nesse contexto, não indicaria rompimento com a gestão estadual, mas reposicionamento em uma área menos exposta ao desgaste cotidiano da saúde pública.

Nos bastidores, a leitura é de que a decisão integra um movimento mais amplo do governo de Helder Barbalho para reforçar o controle político e administrativo em áreas críticas, com impacto direto na percepção do eleitorado. A oficialização das mudanças é aguardada para os próximos dias, por meio de publicação no Diário Oficial do Estado.

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