Três anos do 8 de janeiro: Brasil entra no primeiro ano eleitoral com reflexos para 2026 - Estado do Pará Online

Três anos do 8 de janeiro: Brasil entra no primeiro ano eleitoral com reflexos para 2026

Três anos depois dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 seguem no centro do debate político nacional. O episódio, que marcou a história recente do país, continua gerando reflexos institucionais e políticos, agora com impactos projetados sobre o primeiro ciclo eleitoral completo após os atos, com as eleições de 2026 no horizonte.

Desde então, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avançaram nas investigações e condenações dos envolvidos. Paralelamente, o tema passou a ocupar espaço permanente no debate público, tanto no Congresso Nacional quanto nas redes sociais, onde diferentes grupos disputam narrativas sobre a gravidade dos atos e as punições aplicadas.

Para o cientista político Edir Veiga, professor da Universidade Federal do Estado do Pará, o tratamento dado ao 8 de janeiro representa um ponto fora da curva na tradição política brasileira. Em entrevista ao Estado do Pará Online, ele avaliou que houve uma atuação prioritária das instituições de Justiça.

Falar em desdobramentos político-institucionais do 8 de janeiro, nós podemos observar o empenho dos órgãos de justiça, notadamente o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, de cuidar com prioridade deste crime, que em países como Estados Unidos daria prisão perpétua, na China e Rússia daria pena de morte.”

Segundo o professor, esse movimento contrasta com episódios anteriores da história nacional, nos quais tentativas de ruptura institucional acabaram sendo absorvidas politicamente.

No Brasil, a tradição histórica dos golpes de Estado, quando eles não se consolidaram, sempre ocorreu a anistia. Há uma cultura de não se considerar esse tipo de crime como algo sério, como no episódio da posse do Juscelino Kubitschek em 1955, a posse do João Goulart em 1960 e assim por diante”

Disputa política e narrativa pública

Com o avanço das condenações no Judiciário, o debate ganhou força no campo político. Para Veiga, o país vive hoje uma disputa intensa sobre o significado jurídico e político do 8 de janeiro.

O principal desdobramento político é uma sociedade democrática lutando para que as penas sejam cumpridas, enquanto há um grande debate, especialmente nas redes sociais digitais, tentando deslegitimar as decisões do Supremo Tribunal Federal.”

Esse embate também se reflete no Congresso Nacional, onde propostas e discursos buscam reinterpretar ou reduzir as penas aplicadas aos condenados, tema que segue mobilizando bancadas e lideranças políticas.

Congresso conservador e prolongamento do debate

Na avaliação do cientista político, a atual composição do Legislativo contribui para que essa discussão se estenda por mais tempo.

Esse debate está tendo forte reverberação em um Congresso majoritariamente conservador e deve permanecer presente na sociedade brasileira até as eleições de 2026 e também nos anos seguintes.”

Economia, governo e polarização

Ao projetar o cenário eleitoral, Veiga avalia que a disputa tende a se manter fortemente polarizada. Ele associa essa dinâmica à estratégia política dos grupos em oposição ao governo federal, embora o contexto econômico seja alvo de avaliações divergentes no país.

A tendência é um debate polarizado. De um lado, o governo apresentando os resultados de gestão; de outro, uma oposição que aposta fortemente na polarização ideológica.”

O cientista político reconhece que indicadores econômicos, como inflação e emprego, fazem parte do discurso governista, mas o tema econômico segue sendo um dos principais pontos de crítica e disputa entre governo e oposição, especialmente diante de problemas como custo de vida, endividamento das famílias e desaceleração em alguns setores.

Centro político perde espaço

Para Veiga, a radicalização do debate tem como consequência o enfraquecimento do centro político.

Essa polarização tem esvaziado o centro político. As forças moderadas acabam ficando cada vez mais marginais na disputa eleitoral.”

Ele alerta ainda que alianças circunstanciais dentro desse cenário podem gerar efeitos imprevisíveis no médio e longo prazo.

2026 no horizonte

Com investigações ainda em curso, condenações sendo executadas e um ambiente político marcado por forte polarização, o 8 de janeiro segue como um marco ativo da política brasileira. Três anos depois, o episódio continua influenciando decisões institucionais, discursos políticos e a construção do cenário eleitoral que começa a se desenhar para 2026.

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