Senado aprova projeto que usa inteligência artificial para proteger vítimas de violência doméstica - Estado do Pará Online

Senado aprova projeto que usa inteligência artificial para proteger vítimas de violência doméstica

Proposta prevê monitoramento de agressores em tempo real e aplicativo com botão de emergência para acionar a polícia.

O Senado Federal do Brasil aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto de lei que prevê o uso de tecnologias de inteligência artificial para reforçar a proteção de vítimas de violência doméstica. O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados do Brasil.

A proposta cria o Programa Nacional de Monitoramento de Agressores com Uso de Tecnologia por Inteligência Artificial (PNM-IA). O projeto foi apresentado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) e recebeu alterações da relatora Daniella Ribeiro (PP-PB).

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), somente em 2025 foram concedidas 621.202 medidas protetivas no país, o equivalente a uma média de 70 decisões por hora.

A proposta busca aumentar a eficácia dessas medidas por meio do uso de tecnologias que permitam acompanhar o cumprimento das ordens judiciais e ampliar a segurança das vítimas.

Monitoramento em tempo real

Pelo projeto, agressores que estiverem submetidos a medidas cautelares ou protetivas poderão ser monitorados por decisão judicial com o uso de tornozeleiras eletrônicas ou dispositivos equivalentes.

Esses equipamentos serão capazes de registrar a localização e dados biométricos do agressor, além de identificar automaticamente violações de distância mínima em relação à vítima ou a locais determinados pela Justiça.

O sistema será integrado a uma plataforma informatizada com inteligência artificial que permitirá detectar, em tempo real, eventuais descumprimentos das medidas e emitir alertas imediatos às autoridades responsáveis.

Aplicativo para vítimas

O texto também prevê o uso de tecnologias voltadas diretamente para as vítimas, como aplicativos e dispositivos vestíveis capazes de identificar a aproximação do agressor e emitir alertas de segurança.

Entre as funcionalidades previstas no aplicativo estão:

  • botão de emergência para acionar as forças de segurança com envio da localização em tempo real;
  • alertas caso o agressor se aproxime de áreas proibidas pela Justiça;
  • acesso ao histórico de tentativas de violação das medidas protetivas;
  • canais de orientação sobre direitos e serviços de apoio às vítimas.

O uso da ferramenta será gratuito e opcional, dependendo do consentimento da vítima. As tecnologias também deverão ser discretas, acessíveis e fáceis de utilizar, evitando exposição ou estigmatização da pessoa protegida.

Análise de risco e banco de dados

O projeto também prevê a criação de um banco de dados nacional com informações sobre agressores monitorados. A partir desses dados, sistemas de aprendizado de máquina poderão identificar padrões de comportamento e avaliar riscos de reincidência.

Com base nessas análises, a plataforma poderá emitir alertas preventivos às autoridades em casos considerados suspeitos, como a retirada do dispositivo de monitoramento ou movimentações incompatíveis com as restrições impostas pela Justiça.

Além disso, os dados poderão ser utilizados para a produção de diagnósticos e estudos sobre violência contra a mulher, contribuindo para a definição de indicadores nacionais sobre o tema.

Alterações no projeto

Durante a tramitação no Senado, a relatora incluiu o programa no âmbito do Programa Antes que Aconteça, iniciativa voltada à prevenção da violência de gênero e à assistência às mulheres vítimas de agressão.

Ela também incluiu referências à Lei Maria da Penha e retirou do texto um capítulo que previa a reabilitação obrigatória de agressores, por considerar que o tema já está contemplado em outra proposta aprovada pelo Senado.

Caso seja aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto seguirá para sanção presidencial antes de entrar em vigor.

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