O deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, fez críticas públicas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias para ter um de descanso.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o parlamentar declarou ser contrário à mudança e argumentou que a ampliação do tempo livre poderia trazer efeitos negativos. Segundo ele, “ócio demais faz mal” e o aumento de folgas não necessariamente se converteria em lazer produtivo, sobretudo entre a população de baixa renda.
Durante a fala, Pereira afirmou que trabalhadores mais pobres teriam menos acesso a opções de lazer e sugeriu que o tempo livre poderia resultar em exposição a drogas e jogos de azar. As declarações geraram reações nas redes sociais, com críticas de que o discurso associa vulnerabilidade social a comportamentos ilícitos.
“A população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, disse.
O deputado também comentou a tramitação da proposta na Câmara e relatou conversas com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Embora tenha reafirmado posição pessoal contrária ao texto, admitiu que a bancada pode optar por apoiar a medida devido ao calendário eleitoral.
“Em ano eleitoral, determinados temas se tornam mais sensíveis”, afirmou, ao mencionar que o posicionamento pode ser influenciado pela percepção do eleitorado.
Pereira ainda disse ter se surpreendido com comparações feitas por Motta entre a PEC e marcos históricos como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o fim da escravidão. Para ele, a legislação trabalhista brasileira já impõe custos elevados às empresas e não pode ser equiparada à realidade de países com alto índice de renda per capita e qualidade de vida.
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