Porta aberta, atendimento sigiloso e apoio especializado. É assim que mulheres e meninas em situação de violência estão sendo recebidas no Postão de Icoaraci, onde passou a funcionar a Sala Lilás, ambiente voltado ao acolhimento de vítimas de violência de gênero na rede municipal de saúde de Belém.
Implantado em dezembro de 2025, o espaço integra as ações do Janeiro Branco, campanha que reforça a saúde mental como cuidado contínuo. A proposta é garantir atendimento que vá além da escuta imediata, com acompanhamento e encaminhamentos adequados.
A Sala Lilás funciona como ponto inicial de proteção dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento ocorre por demanda espontânea: basta procurar a unidade e informar a situação durante a triagem para ser encaminhada à equipe multiprofissional.
A Sala Lilás é um espaço físico seguro, privado e sigiloso do Sistema Único de Saúde (SUS), criado para acolher mulheres e meninas em situação de violência, garantindo atendimento humanizado, psicológico, social e jurídico desde o primeiro contato, com o objetivo de proteger, dar suporte e encaminhar essas vítimas de forma digna e sem exposição, sendo uma política permanente e obrigatória em muitas unidades”, explica a coordenadora da Referência Técnica de Saúde Mental da Sesma, Eluana Carvalho.
No Postão de Icoaraci, o atendimento envolve psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, com foco na proteção emocional e no fortalecimento da rede de apoio às vítimas.
Política permanente no SUS
A Sala Lilás faz parte de uma política nacional prevista na Lei nº 14.847/2024, que estabelece diretrizes para a criação de espaços específicos de acolhimento a mulheres em situação de violência nas unidades do SUS.
O serviço busca evitar a revitimização, garantindo privacidade, escuta qualificada e encaminhamento seguro, inclusive para apoio jurídico e outros serviços especializados, quando necessário.
Além de Icoaraci, o acolhimento psicológico para mulheres vítimas de violência está disponível em outras 20 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Belém, distribuídas em diferentes bairros da capital.
O acesso pode ocorrer de forma direta ou por encaminhamento de profissionais da própria unidade. Após o acolhimento, a equipe define, junto à usuária, um plano de cuidado, que pode incluir atendimento individual, em grupo ou acompanhamento contínuo.
Janeiro Branco
Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco propõe ampliar o debate sobre saúde mental logo no início do ano. A iniciativa reforça que o cuidado emocional deve ser permanente, especialmente em contextos de violência, onde o impacto psicológico pode ser profundo e duradouro.
Ao integrar a campanha à rede de saúde, a Prefeitura de Belém amplia o alcance das ações e fortalece o SUS como espaço de proteção, cuidado e garantia de direitos para mulheres e meninas.











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