PF prende três por suspeita de lavagem de dinheiro e expõe quase R$ 3 milhões em contratos - Estado do Pará Online

PF prende três por suspeita de lavagem de dinheiro e expõe quase R$ 3 milhões em contratos

Denúncia recebida pelo EPOL e documentos anexados apontam contratos com a Fundação Cultural do Pará, prisões em flagrante e ligação de servidor da Casa Civil com os investigados.

Uma denúncia recebida pelo Estado do Pará Online (EPOL), acompanhada de documentos oficiais, registros empresariais e publicações no Diário Oficial do Estado do Pará (DOEPA), aponta que a prisão em flagrante de Felipe Linhares Paes, Ronaldy Rian Moreira Gomes e Michel Silva Ribeiro está ligada a um conjunto de contratos públicos que soma quase R$ 3 milhões e envolve projetos culturais, musicais e shows gospel.

Nos recortes do Diário Oficial analisados pela reportagem, a empresa Solucione Comércio e Serviços Ltda aparece como contratada ou favorecida da Fundação Cultural do Pará em diferentes datas entre fevereiro e março de 2026, com contratos vinculados a projetos como “Harmonia Sonora” e “Músicas nas Praças”, muitos deles no valor de R$ 300 mil.

Além disso, os documentos mostram que os contratos não se limitam a projetos genéricos. Em publicação do dia 13 de março de 2026, há detalhamento da contratação da empresa para realização de shows com diversos artistas em espaços públicos de Belém, como a Praça Waldemar Henrique e a Praça do Carmo, com valor de R$ 300 mil e execução prevista em datas específicas.

A análise das publicações também indica um padrão repetitivo, com múltiplos contratos semelhantes, valores próximos e uso recorrente de inexigibilidade de licitação, modalidade que dispensa concorrência, mas exige justificativa técnica, o que coloca sob questionamento os critérios adotados para contratação.

Vínculos empresariais e estrutura das empresas

A apuração identificou que Ronaldy Rian Moreira Gomes figura como sócio-administrador da Solucione Comércio e Serviços Ltda, empresa que concentra os contratos analisados, com capital social de R$ 1,5 milhão. Felipe Linhares Paes aparece como sócio-administrador da Royal Gráfica e Editora Ltda, enquanto Michel Silva Ribeiro consta como sócio da 2MRKS Comércio e Serviços de Publicidade Ltda.

A estrutura societária pode indicar o uso de terceiros para administração formal de empresas que movimentam recursos públicos, hipótese que se conecta com o relato de investigação sobre possível atuação de “laranja”, embora essa informação ainda dependa de confirmação oficial no curso do inquérito.

Conexão com o poder público

O material analisado também aponta que Michel Silva Ribeiro é servidor da Casa Civil do Estado e estava presente no momento da abordagem policial, o que reforça a linha de apuração sobre possível ligação entre agentes públicos e empresas contratadas pelo poder público.

Há ainda a informação de que ele seria, supostamente, genro do deputado federal Raimundo Santos (PSD). O dado aparece em diversos momentos durante a apuração do EPOL, mas não foi confirmado oficialmente até então.

Contexto da operação

A prisão dos três ocorreu após uma abordagem da Polícia Federal em Belém, que teria sido motivada por movimentações consideradas atípicas e resultou na apreensão de R$ 500 mil em espécie, conforme noticiado pelo portal Ver-O-Fato na última terça-feira (17).

A reportagem do Estado do Pará Online (EPOL) tentou contato com os envolvidos, porém, até a publicação, não houve retorno. O espaço segue aberto e nossa equipe continua acompanhando o caso.

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