Pastor critica cobertura da Globo e reação de Damares ao desfile homenageando Lula - Estado do Pará Online

Pastor critica cobertura da Globo e reação de Damares ao desfile homenageando Lula

Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula.
Reprodução/Redes Sociais

O pastor e articulista Zé Barbosa Jr publicou, na segunda-feira (16), na Revista Fórum, um artigo de opinião em que comenta a repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15), em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a abertura do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí.

No texto, intitulado “Carnaval: O que a Globo não quis mostrar e Damares fez questão de inventar”, o autor sustenta que houve diferença entre o espetáculo apresentado na avenida e a narrativa construída a partir da transmissão televisiva e das reações políticas posteriores.

Cobertura da transmissão

Segundo o articulista, a TV Globo adotou uma postura mais discreta quando o enredo abordou o terceiro mandato de Lula, com redução de comentários, menor destaque à letra do samba e menos detalhamento das alegorias ligadas ao tema.

De acordo com o autor, decisões de enquadramento, edição e silêncio editorial também interferem na forma como o público constrói a memória do evento. Durante a transmissão, telespectadores registraram críticas nas redes sociais relacionadas ao áudio e ao ritmo da exibição, sem confirmação oficial de cortes deliberados.

Reação política e interpretação

O artigo também aborda as declarações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que classificou o desfile como possível crime eleitoral e afirmou ter identificado ataque à fé evangélica na ala denominada “neoconservadores em conserva”, caracterizada por fantasias em formato de latas.

Para Zé Barbosa Jr, a interpretação da parlamentar transforma alegorias carnavalescas em supostos ataques religiosos, misturando conservadorismo político e fé religiosa. O autor defende que o carnaval historicamente utiliza sátiras e símbolos como forma de expressão cultural e política.

Na avaliação do articulista, a trajetória de Lula, como figura pública e política, constitui tema legítimo para enredo, assim como outras personalidades já retratadas por escolas de samba ao longo dos anos.

O texto conclui que, apesar da controvérsia gerada nas redes sociais e no meio político, o público presente na avenida aderiu ao samba e ao enredo, reforçando o papel do carnaval como espaço de memória popular e disputa de narrativas.

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