Oxigênio acabou, vidas se perderam: cinco anos depois, Manaus ainda espera respostas - Estado do Pará Online

Oxigênio acabou, vidas se perderam: cinco anos depois, Manaus ainda espera respostas

Colapso do sistema de saúde em janeiro de 2021 expôs falhas graves de gestão e coordenação durante a pandemia

Reprodução/Redes Socias

O colapso do sistema de saúde de Manaus, marcado pela crise do oxigênio em Manaus em janeiro de 2021, completa cinco anos sem um desfecho institucional proporcional à gravidade da tragédia. Na quinta-feira (14), hospitais da capital amazonense ficaram sem oxigênio medicinal no auge da segunda onda da Covid-19, levando pacientes internados à morte por asfixia.

Relatos de profissionais de saúde, familiares e entidades médicas apontaram dezenas de óbitos associados diretamente à falta do insumo. Embora o número exato de mortes nunca tenha sido consolidado em um único balanço oficial, órgãos de controle e investigações posteriores confirmaram a ocorrência de mortes evitáveis e falhas graves de planejamento diante do aumento acelerado da demanda hospitalar.

Posição do governo federal

À época, o governo do então presidente Jair Bolsonaro sustentou que a responsabilidade pelo colapso cabia exclusivamente ao governo do Amazonas. A gestão federal classificou a crise como imprevisível e negou omissão, mesmo diante de apurações que indicaram a existência de alertas prévios sobre o risco de desabastecimento de oxigênio nos hospitais do estado.

Após a explosão da crise, o discurso oficial passou a destacar ações emergenciais, como o envio de cilindros e o apoio logístico da Força Aérea Brasileira, sem reconhecimento público de falhas estruturais na coordenação nacional da resposta à pandemia.

Atuação do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde era comandado por Eduardo Pazuello, general da reserva do Exército, nascido em Manaus, mas com carreira construída fora do Amazonas. Embora não integrasse a gestão estadual, Pazuello mantinha vínculos pessoais com a capital, onde parte de sua família residia.

Durante o período crítico, imagens do ministro circulando em um shopping da cidade ganharam repercussão nacional e passaram a simbolizar, para parte da opinião pública, o distanciamento entre a gravidade do colapso hospitalar e a condução política da crise. Pazuello foi ouvido pela CPI da Covid e alvo de apurações administrativas, mas decisões posteriores afastaram sua responsabilização direta em processos específicos.

Cinco anos depois, apesar de ações civis, pedidos de indenização e condenações pontuais na esfera judicial, o episódio segue sem uma responsabilização penal ou política ampla. Para familiares das vítimas e profissionais da saúde, a crise do oxigênio em Manaus permanece como um marco da pandemia e um lembrete de que as respostas institucionais ainda não acompanharam a dimensão da tragédia vivida em janeiro de 2021.

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