Acompanhantes de pacientes internados no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14 de Março, em Belém, usaram as redes sociais para denunciar as condições precárias da unidade de saúde. Em vídeos que circulam na internet, uma acompanhante relata problemas estruturais, falta de medicamentos, escassez de profissionais e dificuldades enfrentadas diariamente por pacientes e familiares.
Nas imagens, a mulher mostra goteiras sobre leitos, paredes com mofo e infiltrações, cadeiras quebradas usadas por acompanhantes e banheiros sem condições adequadas de uso, incluindo portas que não fecham e vasos sanitários sem tampa. Segundo ela, alguns leitos chegam a ficar inutilizados por causa das goteiras.
O relato também aponta a falta de medicamentos básicos, alguns com custo aproximado de R$ 7 nas farmácias, que precisaram ser comprados pelos próprios familiares. “Tem paciente que não tomou o remédio porque não tinha no hospital”, afirma a acompanhante, classificando a situação como “uma injustiça com o povo”.
Outro ponto destacado é a escassez de profissionais de saúde. De acordo com o vídeo, plantões que deveriam contar com cerca de cinco enfermeiros chegam a funcionar com apenas dois, o que compromete o atendimento. Há ainda queixas sobre a falta de cadeiras de rodas, ausência de cadeiras para banho de pacientes especiais e o uso improvisado de placas de papelão para indicar leitos ocupados.
A acompanhante também relata problemas de acessibilidade, como elevadores quebrados, obrigando familiares a descer escadas para buscar alimentação dos pacientes. “Os acompanhantes tiveram que deixar os pacientes sozinhos no leito para buscar comida”, disse.
Inspeção oficial confirmou precariedade
As denúncias feitas nas redes sociais reforçam problemas já identificados em vistoria realizada no dia 19 de dezembro de 2025 pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) no PSM da 14 de Março.
Durante a inspeção, foram constatadas precariedade na infraestrutura, falta de medicamentos e insumos, além de uma alta taxa de mortalidade na unidade. Diante do cenário, o MPF ajuizou uma Ação Civil Pública, com apoio da Defensoria Pública da União (DPU) e de outros conselhos profissionais.

A Justiça Federal decidiu proibir o fechamento do hospital e determinou que o poder público adote medidas urgentes para melhorar a gestão e a infraestrutura da unidade, incluindo a elaboração de um Plano de Recuperação, garantindo o funcionamento contínuo do pronto-socorro.
Enquanto as determinações judiciais não são plenamente cumpridas, acompanhantes e pacientes seguem denunciando a realidade enfrentada no hospital e pedem providências imediatas para assegurar atendimento digno à população.
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