Manchas que não doem, mas tiram a sensibilidade, dormências persistentes e formigamentos que não passam. Esses sinais, muitas vezes ignorados no dia a dia, estão no centro da ação que a Universidade do Estado do Pará (Uepa) realiza nesta quinta-feira (23), em Belém, para identificação precoce da hanseníase.
O mutirão acontece no Serviço de Referência Especializado em Dermatologia da Uepa, no Campus II, no bairro do Marco, das 8h30 às 11h, com atendimento gratuito e sem necessidade de agendamento. Basta apresentar Cartão do SUS, RG e comprovante de residência.
A iniciativa integra o Janeiro Roxo, campanha nacional de enfrentamento à hanseníase, e antecipa as mobilizações do Dia Mundial Contra a Hanseníase e do Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, celebrados no fim do mês.
Durante a ação, profissionais vão realizar avaliação clínica, orientação em saúde e busca ativa de casos suspeitos, reforçando que o diagnóstico precoce é decisivo tanto para a cura quanto para a redução do preconceito que ainda cerca a doença.
De acordo com a médica dermatologista Carla Pires, o diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico. “O tratamento é feito pelo SUS, interrompe a transmissão e garante a cura. O tempo varia de seis a 12 meses, dependendo da classificação da doença”, explica. Somente em 2025, 251 pacientes estavam em acompanhamento no serviço de Dermatologia da Uepa.
A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e se transmite por contato prolongado com pessoas infectadas que ainda não iniciaram o tratamento. A doença pode se manifestar de forma paucibacilar ou multibacilar, exigindo acompanhamento contínuo.
Histórias como a do pescador Patrício Ferreira, de 41 anos, ajudam a ilustrar a importância da atenção aos sinais. “Eu tinha uma mancha no pé onde não sentia nada. Achava que era do futebol. Quando fui examinado, veio o diagnóstico”, relata. Hoje, ele segue em tratamento pela Uepa e recebe os medicamentos em seu município, Cametá, pelo SUS.
Os números reforçam a necessidade de ações como essa. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 20.632 novos casos de hanseníase em 2025, ocupando a segunda posição mundial, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Pará, foram 1.486 novos casos, sendo 184 em Belém.
Além do atendimento à população, o mês de janeiro também será marcado por ações de capacitação profissional. No dia 28, a Uepa e a Sespa promovem o Simpósio Hanseníase na Infância e Adolescência, no Campus II. Já no dia 29, ocorre um curso online de Atualização em Hanseníase, voltado a profissionais da Atenção Básica, com transmissão pelo Telessaúde da Uepa.
As iniciativas reforçam que informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado seguem sendo as principais ferramentas para enfrentar a hanseníase e reduzir seus impactos sociais.
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