Malhação de Judas na Cremação transforma tradição em protesto contra feminicídio - Estado do Pará Online

Malhação de Judas na Cremação transforma tradição em protesto contra feminicídio

Evento reuniu moradores por dois dias com programação cultural, crítica social e participação de famílias, mantendo viva uma tradição histórica do bairro

Paula Lourinho

Sete associações do bairro da Cremação se uniram neste fim de semana para realizar mais uma edição da tradicional Malhação de Judas, que neste ano trouxe como eixo central o combate ao feminicídio. A programação ocupou as ruas nos dias 3 e 4 de abril, reunindo moradores de diferentes gerações.

Os bonecos confeccionados pela própria comunidade voltaram a ser o principal símbolo da festa. Cada figura representou problemas sociais enfrentados pela população, como preconceito, violência e desigualdade. Ao final, foram “malhados” em um gesto coletivo de protesto e reflexão.

Com mais de 50 anos de história, a celebração mantém viva uma prática cultural que mistura fé, manifestações populares e posicionamento social. Crianças, jovens e idosos participaram de brincadeiras, apresentações musicais e do tradicional velório simbólico realizado à noite.

Moradora antiga da Cremação, Patrícia Barcelar acompanhou os dois dias de evento ao lado da neta. “Eu sempre morei aqui, cresci participando e agora trouxe a minha neta para participar, porque resgata as brincadeiras das crianças. Elas brincam na rua, se divertem, tem dança, brincadeira, ganham chocolate e ainda podem ver o coelhinho da Páscoa. Eu estou muito feliz”, disse.

Sobre o tema escolhido, ela reforçou a importância do debate. “A gente se sente mal de andar sozinha na rua. O número de mortes de mulheres tem crescido e isso nos entristece, então é muito importante falar sobre o tema e que a gente continue, porque não tem nada melhor do que se sentir ouvida”, enfatizou.

A festividade contou com apoio da gestão municipal por meio da Secretaria de Cultura, fortalecendo o caráter comunitário do evento e ampliando o alcance da programação. Para os organizadores, a Malhação de Judas segue sendo mais que tradição: é também voz ativa da comunidade.

Com informações da Agência Belém