Quem passou pela Vila de Mosqueiro nesta semana encontrou equipes de saúde atendendo, orientando e tirando dúvidas sobre a hanseníase. A mobilização marcou a abertura das ações do Janeiro Roxo em Belém e concentrou serviços voltados à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.
Somente na quarta-feira (21), cerca de 400 pessoas passaram pelos atendimentos oferecidos na ilha. Avaliação clínica, testagem de contatos, vacinação e orientações em saúde fizeram parte da programação.
Entre os atendidos estava a moradora Joana D’Arc, que aproveitou a ação para buscar informações. “É importante a gente se informar, se orientar e saber quais cuidados precisamos ter para não transmitir a hanseníase para outras pessoas. A Prefeitura está de parabéns”, disse.
A movimentação também chamou a atenção de quem circulava pela área. Morador da Vila, Charles Wanzeler destacou a presença das equipes. “Acabei de ser atendido, passei por consulta e recebi orientações sobre a hanseníase. A gente era carente de ações assim, mas agora estamos tendo várias mobilizações, e isso é muito positivo”, afirmou.
Durante a ação, equipes técnicas realizaram avaliação de sinais e sintomas, testagem rápida em contatos de pacientes já tratados e atividades educativas. Também foram ofertados serviços como aferição de pressão arterial, teste de glicemia e vacinação.
De acordo com a coordenadora da Referência Técnica em Tuberculose, Hanseníase e Micose da Sesma, Gabrielle Lobo, os resultados foram positivos. “Os testes rápidos não apresentaram reagência, o que é um bom indicador. Isso mostra que o caso fonte está em tratamento e deixou de ser transmissor. Ainda assim, esses contatos seguirão em monitoramento por cinco anos”, explicou.
Além de Mosqueiro, a campanha também avançou em outros pontos da cidade. Na sexta-feira (23), uma ação no bairro do Telégrafo, em parceria com a Uepa e a Sespa, registrou mais de 100 atendimentos em uma única manhã, com seis casos confirmados e notificados.
As pessoas diagnosticadas foram encaminhadas imediatamente para iniciar o tratamento e orientadas a procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para acompanhamento.
A hanseníase é uma doença infecciosa que atinge principalmente a pele e os nervos. Manchas com perda de sensibilidade e formigamento estão entre os principais sinais. O tratamento é gratuito pelo SUS e, após o início da medicação, a transmissão é interrompida.
Entre 2020 e 2025, Belém registrou 983 casos da doença, sendo 599 novos, o que indica transmissão ativa no território e reforça a importância da busca por diagnóstico precoce.
“O Janeiro Roxo é uma campanha estratégica para fortalecer as ações de vigilância, prevenção e diagnóstico precoce da hanseníase. Na capital paraense, a programação está concentrada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESFs), principais portas de entrada do SUS. Essas ações contribuem para interromper a transmissão, reduzir incapacidades e enfrentar o estigma associado à doença”, destacou Gabrielle Lobo.
Ao longo do mês, a campanha segue com ações em unidades de saúde, bairros, ilhas e áreas ribeirinhas, encerrando no dia 30 de janeiro, na UBS do Telégrafo.









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