Irmão de Araceli reage à morte de Dante Michelini: ‘justiça divina’ - Estado do Pará Online

Irmão de Araceli reage à morte de Dante Michelini: ‘justiça divina’

Carlos Cabrera Crespo afirma que investigação do crime de 1973 teve falhas graves e que absolvição não trouxe reparação à família

Créditos: Reprodução / Domingo Espetacular

A morte de Dante de Brito Michelini, de 76 anos, encontrado decapitado e carbonizado em um sítio em Guarapari, Espírito Santo, reacendeu a dor e a indignação da família de Araceli Cabrera Crespo, assassinada em 1973. Um dos acusados e posteriormente absolvidos pelo crime, Michelini foi citado pelo irmão da vítima, Carlos Cabrera Crespo, como símbolo de um processo judicial que, segundo ele, falhou em responsabilizar os envolvidos.

Ao comentar a notícia, Carlos afirmou que a absolvição dos réus nunca significou justiça para a família. “Só queria que meus pais estivessem vivos para ver que Deus não falhou”, disse, ao se referir ao desfecho da vida de Dante Michelini. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao g1 Espírito Santo.

Para Carlos, o caso Araceli foi marcado por erros desde a fase inicial. Ele relembrou que, à época, procedimentos básicos de investigação não teriam sido realizados. “Foi um crime mal investigado. Não fizeram, ao que me consta, perícia em vários locais, nem no carro dos suspeitos, onde minha irmã teria sido levada e dopada”, afirmou.

Araceli Cabrera Crespo tinha oito anos quando desapareceu, após sair da escola, em Vitória. O corpo da menina foi encontrado dias depois, com sinais de violência sexual. Dante Michelini, o pai dele e outro acusado chegaram a ser condenados em um primeiro julgamento, mas acabaram absolvidos em decisão definitiva anos depois, sob o argumento de falhas na produção de provas. O crime prescreveu sem que houvesse punição.

Diante da morte de Michelini, Carlos afirmou que permanece o sentimento de que a Justiça não respondeu à altura do crime. Ainda assim, disse acreditar que houve uma reparação fora dos tribunais. “A justiça dos homens falhou, mas eu sempre soube que a justiça divina tarda, mas não falha. Deus deixou essa pessoa viver bastante tempo para sofrer com o que fez, se é que tinha consciência”, declarou.

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