Cerca de 100 indígenas dos povos Juruna e Xikrin ocupam há cerca de duas semanas a sede da coordenação regional da Funai, em Altamira, no sudoeste do Pará. A mobilização é organizada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu e protesta contra o projeto de mineração da empresa Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu.
Segundo as lideranças, o empreendimento representa risco de contaminação do rio Xingu e ameaça direta aos territórios e ao modo de vida das comunidades. As indígenas também denunciam a ausência de consulta prévia, livre e informada, direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
A região da Volta Grande do Xingu já enfrenta impactos após a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Entre os problemas apontados estão mudanças no fluxo do rio e prejuízos à piracema, período fundamental para a reprodução dos peixes e para a segurança alimentar das comunidades indígenas.
Durante a ocupação, as mulheres apresentaram uma série de reivindicações ao governo federal. Entre elas estão a suspensão do projeto Belo Sun e a realização de novos estudos de impacto ambiental na região. O grupo também cobra a desintrusão da Terra Indígena Cachoeira Seca e medidas de segurança alimentar para o povo Arara, além da criação de corredores ecológicos e da ampliação da Terra Indígena Paquiçamba.
Outras demandas incluem o reconhecimento dos territórios Juruna de Muratá e Pacajaí e mudanças na coordenação regional da Funai em Altamira. As manifestantes afirmam que permanecerão mobilizadas até que seja instalada uma mesa de negociação que garanta proteção territorial e respeito aos direitos dos povos da Volta Grande do Xingu.
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