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Indígenas mantêm ocupação na Cargill há 12 dias contra avanço do agronegócio

Povos tradicionais afirmam que projeto de dragagem do rio Tapajós coloca em risco seus modos de vida

Manifestantes denunciam impactos ambientais e sociais de obras planejadas no Rio Tapajós. Foto: Vitor Silva/CITUPI

A ocupação indígena no porto da multinacional Cargill, em Santarém (PA), completou 12 dias nesta segunda-feira (02), com lideranças tradicionais mantendo vigília e protestos contra projetos que, segundo eles, ameaçam a vida no Baixo Tapajós.

A mobilização começou em 22 de janeiro, quando povos indígenas do Baixo Tapajós ocuparam o terminal portuário da empresa em defesa do Rio Tapajós, contra a inclusão das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização (PND) e a consequente dragagem planejada da calha do rio, medida que os manifestantes afirmam ter sido adotada sem a consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, como exige a legislação internacional.

As lideranças indígenas criticam duramente o projeto que transformaria o rio em um corredor industrial para o agronegócio e alertam para os impactos ambientais, sociais e culturais dessa iniciativa.

Indígenas ocupam porto da empresa há 12 dias e afirmam que projetos do agronegócio colocam em risco seus modos de vida. Foto: Vitor Silva/CITUPI

Em nota publicada nas redes sociais pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), uma das organizações que apoiam a mobilização, os indígenas afirmam que: “A dragagem permanente ameaça as margens, altera o curso das águas, coloca em risco as praias, a pesca e a saúde da população, com a possibilidade de ressuspensão de mercúrio e outros contaminantes já presentes nos sedimentos do rio.”

Os povos também destacam que a perda de seus direitos, inclusive o direito à consulta prévia garantido pela Convenção 169 da OIT, representaria um ataque direto aos modos de vida tradicionais e à sobrevivência cultural de suas comunidades: “Enquanto grandes empresas lucram, os povos do território enfrentam contaminação, insegurança alimentar e a perda de seus direitos.”

Nesta fase da ocupação, movimentos sociais e comunidades ribeirinhas participam de atos diversos, incluindo barqueatas de resistência pelas águas próximas a Alter do Chão, ampliando a visibilidade do protesto e reforçando o apelo por diálogo com as autoridades federais e suspensão imediata dos processos que consideram nocivos ao rio e às populações tradicionais.

Protesto em Santarém reúne povos do Baixo Tapajós, que denunciam ameaça aos territórios e falta de consulta prévia. Foto: Vitor Silva/CITUPI

Até o momento, o governo federal não revogou o decreto nem suspendeu oficialmente os editais de dragagem e a pauta segue como ponto de forte resistência indígena no Pará.

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