Guerra no Irã: Entenda como o conflito pode afetar a economia do Brasil - Estado do Pará Online

Guerra no Irã: Entenda como o conflito pode afetar a economia do Brasil

Altas no valor do petróleo podem refletir diretamente no bolso dos brasileiros.

Imagem do ataque de mísseis no Aeroporto Mehrabad em Teerã, na capital do Irã. A imagem distante mostra o aeroporto em chamas com uma enorme fumaça preta no céu e prédios ao fundo.
Reprodução / NEXTA

Segundo análise publicada pela BBC, a escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos acende um alerta para possíveis reflexos na economia do Brasil. Os principais impactos envolvendo o país podem ocorrer por meio da alta do petróleo no mercado internacional.

Após o início da “Operação Epic Fury”, coordenada por Israel e Estados Unidos, que resultou na destruição de alvos militares e na morte do aiatolá Ali Khamenei, o mundo se prepara para as consequências econômicas de um conflito dessa magnitude. No Brasil, a alta do petróleo pode influenciar na inflação e nos juros altos por mais tempo.

Especialistas apontam os possíveis reflexos na economia brasileira. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, declarou ao Gazeta do Povo que a ação americana introduz uma “volatilidade institucional significativa”. Simioni afirma que “se a interrupção de 20% no fluxo pelo Estreito de Ormuz persistir por mais de um mês, podemos ter desdobramentos mais graves”, incluindo a ruptura de cadeias globais de valor.

Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike, destacou em entrevista para a BBC que juros elevados reduzem o acesso ao crédito, impactando no consumo das famílias. “Embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo”, afirmou.

Na prática, quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, o impacto chega diretamente ao bolso dos brasileiros. Isso porque combustíveis como gasolina e diesel tendem a ficar mais caros, elevando o custo do transporte público, das viagens por aplicativo e do frete de mercadorias. Com o aumento do frete, supermercados e comércios repassam os custos aos produtos, iniciando um movimento de cadeia e encarecendo alimentos e itens básicos. 

Ainda de acordo com a análise de Rizzo, essa movimentação pressiona a inflação e pode levar o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo. Juros altos dificultam o acesso ao crédito e parcelamentos, reduzindo o consumo das famílias, tornando o cenário ainda mais desafiador para o orçamento doméstico.

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