Fafá de Belém rompe silêncio e usa a própria música para defender o Tapajós - Estado do Pará Online

Fafá de Belém rompe silêncio e usa a própria música para defender o Tapajós

Cantora publica vídeo nas redes e se posiciona contra a dragagem dos rios no oeste do Pará

Os versos “Esse rio é minha rua / Minha e tua, mururé” abriram o recado. Em um vídeo publicado nas redes digitais, Fafá de Belém se posicionou publicamente contra a dragagem nos rios do Tapajós, em meio às mobilizações indígenas e ambientais que denunciam impactos sobre territórios tradicionais no oeste do Pará.

A cantora escolheu uma das próprias músicas como trilha do vídeo, transformando a letra em manifestação política e simbólica. A publicação ocorre em um momento de forte cobrança a artistas amazônidas, pressionados a se posicionar diante de projetos que, segundo movimentos sociais, ameaçam os rios e os modos de vida da região. No vídeo, a canção ecoa como declaração de pertencimento e resistência.

“Esse rio é minha rua
Minha e tua, mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré”

A postagem foi interpretada por ativistas como um gesto direto de alinhamento às lutas indígenas e ribeirinhas, especialmente no contexto das críticas à dragagem e à presença de grandes interesses econômicos no Tapajós. Outro trecho da música reforça o tom de enfrentamento adotado pela artista:

“Quem montou na cobra grande
Não se escancha em puraqué”

A manifestação de Fafá surge dias após movimentos sociais questionarem o silêncio de artistas da Amazônia diante da ocupação indígena em Santarém e da discussão sobre a possível privatização e uso intensivo do rio Tapajós. As cobranças ganharam força nas redes, com críticas a figuras públicas que exaltam a Amazônia em palcos, mas evitam embates quando os conflitos se tornam concretos.

Diferente de notas formais ou discursos institucionais, Fafá optou por uma linguagem artística e afetiva, usando a própria obra para reafirmar sua relação com os rios amazônicos. Para apoiadores, o gesto devolve à música o papel de ferramenta de denúncia e memória.

A publicação repercutiu rapidamente entre lideranças indígenas, ambientalistas e usuários das redes sociais, que destacaram a importância do posicionamento em um cenário de disputas crescentes sobre os rios da região. Para finalizar e acompanhando o vídeo, Fafá de Belém deixou uma legenda.

“Nossos rios não estão à venda! A vida da nossa fauna, das nossas florestas, das comunidades tradicionais e dos povos originários não é negociável! Cuidar da Amazônia é cuidar do que somos. Proteger os rios Tapajós, Madeira, Arapiuns, Tocantins e o Pedral do Lourenço é proteger a VIDA!.”

Leia Mais: