EUA avaliam classificar PCC e CV como organizações terroristas; decisão pode gerar sanções e impacto político - Estado do Pará Online

EUA avaliam classificar PCC e CV como organizações terroristas; decisão pode gerar sanções e impacto político

Proposta discutida no governo de Donald Trump pode ampliar sanções contra integrantes das facções e gerar repercussão diplomática e eleitoral no Brasil.

Foto: Reprodução/X

O governo dos Estados Unidos avalia classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, discutida na gestão do presidente Donald Trump, pode resultar em sanções econômicas mais duras contra integrantes das facções e ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

A proposta também gera tensão diplomática com o Brasil e pode ter impactos no debate político das eleições presidenciais de 2026, segundo análises de especialistas e fontes do governo.

Governo brasileiro tenta evitar classificação

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar do tema. A conversa ocorreu no último fim de semana e incluiu discussões sobre a relação bilateral e a possibilidade de os EUA incluírem facções brasileiras na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras.

Segundo informações de bastidores do governo, a proposta está avançada dentro da administração norte-americana e deve ser levada ao Congresso dos EUA para ratificação nos próximos dias.

Diplomatas brasileiros demonstram preocupação com a medida e avaliam que a classificação poderia abrir precedentes para ações mais duras no combate ao narcotráfico na região, incluindo cooperação militar.

Diferença jurídica impede enquadramento no Brasil

Apesar da gravidade dos crimes atribuídos ao PCC e ao Comando Vermelho, as facções não são classificadas como organizações terroristas pela legislação brasileira.

Isso ocorre porque a Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016) estabelece que o terrorismo deve envolver motivação política, ideológica, religiosa ou discriminatória, com objetivo de provocar terror social ou desestabilizar o Estado.

No caso das facções criminosas brasileiras, a principal motivação é o lucro por meio de atividades ilegais, como o tráfico de drogas, o que impede o enquadramento jurídico como terrorismo no país.

Possíveis sanções contra integrantes

Caso os Estados Unidos confirmem a classificação, integrantes das facções podem sofrer medidas mais rígidas, como:

  • Bloqueio de ativos financeiros no exterior
  • Negação de vistos e deportação de suspeitos
  • Isolamento internacional das organizações
  • Dificuldade para adquirir armas, treinamento ou serviços

A designação também pode facilitar a cooperação internacional e o compartilhamento de inteligência entre autoridades estrangeiras no combate ao crime organizado.

Debate pode influenciar eleições de 2026

Analistas políticos apontam que a discussão também pode repercutir no cenário eleitoral brasileiro.

A explicação jurídica do governo brasileiro sobre a impossibilidade de classificar as facções como terroristas pode ser distorcida no debate político interno, gerando narrativas de que o governo estaria sendo complacente com o crime organizado.

Segundo analistas, o tema tende a ser explorado por adversários políticos nas eleições presidenciais de 2026, ampliando o debate sobre segurança pública e crime organizado no país.

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