A integração entre tecnologia, sustentabilidade e educação interdisciplinar tem ganhado destaque na Escola Estadual João Carlos Batista, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Estudantes do Grupo de Robótica Inova JCB desenvolveram o projeto “Lixeira Inteligente para Separação de Resíduos (LISER 1)”, uma solução inovadora que utiliza Inteligência Artificial (IA) para identificar e separar materiais recicláveis de forma automatizada.
A iniciativa é orientada pelos professores Marcelo Mesquita, Arthur Queiroz e Klevertton Feio, que atuam de maneira integrada no acompanhamento pedagógico e tecnológico dos alunos. Para o professor de Matemática Marcelo Mesquita, o projeto evidencia o potencial da escola pública na produção científica e tecnológica.
“É importante que nossos alunos do Ensino Médio tenham a oportunidade de aprender e fazer ciência de ponta. Muitas vezes, acreditamos que determinados temas só podem ser trabalhados nas universidades, e o projeto mostra que isso não é verdade. Isso nos deixa muito orgulhosos”, afirmou.
Com foco na reciclagem e na redução de custos, o protótipo foi construído majoritariamente com materiais recicláveis. A lixeira inteligente conta com uma webcam acoplada a um sistema de Visão Computacional e Deep Learning, capaz de analisar características como cor, textura e brilho dos resíduos descartados.
A partir dessa análise, o sistema identifica o tipo de material e aciona um mecanismo que direciona automaticamente o resíduo para o compartimento correto, tornando o processo mais eficiente e reduzindo a necessidade de separação manual.
Para o estudante Maurício Mota, da 1ª série do Ensino Médio, a participação no projeto representou uma experiência transformadora. “Quando soube que fui selecionado para o Grupo de Robótica fiquei muito feliz, pois nunca imaginei participar de algo assim. O projeto me incentivou a dar o meu melhor não só na Robótica, mas também nas outras disciplinas”, relatou.
Já a aluna Estefane Silva, da 3ª série, destacou o impacto formativo da iniciativa. “Participar do projeto foi algo marcante, que levarei como aprendizado para a vida. A lixeira inteligente me fez enxergar a tecnologia como uma ferramenta real de cuidado com o meio ambiente e com as pessoas”, disse. Segundo ela, a experiência também fortaleceu o trabalho em equipe e a capacidade de lidar com desafios.
De acordo com os professores, o projeto contribui para o desenvolvimento de competências essenciais no Ensino Médio, como pensamento computacional, criatividade, resolução de problemas reais, cultura digital e protagonismo juvenil.
A iniciativa surgiu a partir do PDDE Interativo e foi aprimorada com o uso de kits de robótica doados pelo Centro de Inovação e Sustentabilidade da Educação Básica (Ciseb). A observação da realidade da comunidade local, especialmente em relação ao descarte e tratamento do lixo, também foi fundamental para a concepção da lixeira inteligente.
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