O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira (2), em Brasília, que os Estados Unidos não demonstram interesse real em fechar um acordo nuclear com Teerã. Segundo ele, o entendimento poderia avançar por meio de negociações técnicas, mas teria sido comprometido por ações conjuntas de Washington e de Israel.
A declaração foi feita durante entrevista coletiva na Embaixada do Irã, em meio à escalada de tensões envolvendo o país persa, os Estados Unidos e Israel. De acordo com o diplomata, estava prevista para esta semana uma reunião de especialistas em Viena, organizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para tratar de questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. No entanto, ele sustentou que o processo foi novamente inviabilizado por ataques políticos conduzidos pelos dois países.
Para Nekounam, as tratativas sobre o tema nuclear teriam sido utilizadas como pretexto para pressionar o Irã. Ele acusou Washington e Tel Aviv de explorarem o impasse como estratégia para promover uma mudança de regime em Teerã. O representante iraniano também criticou a postura do governo norte-americano, afirmando que há uma visão de hegemonia que desconsidera a soberania de outros países.
Durante a coletiva, o embaixador ressaltou que a estrutura política iraniana segue funcionando sem rupturas, mesmo após a morte do líder supremo, Ali Khamenei, no último sábado (28). Segundo ele, um conselho interino assumiu rapidamente as funções de comando, mantendo, nas palavras do diplomata, uma linha de defesa “contínua, firme e poderosa”.
“O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que, alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua independência”, disse.
De acordo com a Agência Brasil, analistas internacionais avaliam que a pressão por uma eventual mudança de governo no Irã também estaria ligada a disputas geopolíticas mais amplas, incluindo a tentativa de conter o avanço econômico da China e reforçar a influência estratégica de Israel no Oriente Médio.
Por outro lado, autoridades de Tel Aviv e de Washington sustentam que as ações militares contra o Irã têm caráter preventivo. A justificativa é a suspeita de que Teerã estaria desenvolvendo artefatos nucleares, o que representaria risco direto à segurança israelense. O governo iraniano nega reiteradamente essa acusação e afirma que seu programa nuclear possui finalidade exclusivamente pacífica.
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