Discursos contra o ICE marcam a noite do Grammy 2026; Bad Bunny vence Álbum do Ano e brasil vence categoria de Música Global - Estado do Pará Online

Discursos contra o ICE marcam a noite do Grammy 2026; Bad Bunny vence Álbum do Ano e brasil vence categoria de Música Global

Cerimônia foi dominada por protestos contra a política imigratória dos EUA; Bad Bunny, Billie Eilish e Kehlani criticaram o ICE, e Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram categoria internacional

A 68ª edição do Grammy, realizada na noite deste domingo (1º), na Crypto.com Arena, em Los Angeles, foi marcada por protestos contra a política imigratória dos Estados Unidos e críticas diretas ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Artistas premiados utilizaram o palco da principal premiação da música para se posicionar contra as ações da agência federal, em meio a manifestações que ocorrem no país.

O principal vencedor da noite foi Bad Bunny, que conquistou o prêmio de Álbum do Ano com “Debi tirar más fotos”, além de levar o troféu de Melhor Álbum de Música Urbana. O Brasil também esteve entre os destaques, com Caetano Veloso e Maria Bethânia vencedores na categoria Melhor Álbum de Música Global.

Bad Bunny vence e critica política imigratória

Favorito ao prêmio principal, Bad Bunny foi ovacionado ao ter o nome anunciado por Harry Styles. Em seu discurso de agradecimento pelo Álbum do Ano, o cantor porto-riquenho falou majoritariamente em espanhol e dedicou o troféu a pessoas que precisaram deixar seus países de origem em busca de oportunidades.

Mais cedo, ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, o artista fez uma das declarações mais contundentes da noite ao criticar diretamente o ICE. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos”, afirmou, defendendo o fim das ações da agência e destacando que o amor é a única forma de combater o ódio.

Durante a cerimônia, diversos artistas e convidados também usaram broches com a frase “ICE OUT” (“fora ICE”), em sinal de protesto.

Billie Eilish, Kehlani e Olivia Dean reforçam críticas

O tema da imigração dominou os discursos da noite. Ao vencer Música do Ano com “Wildflower”, Billie Eilish repetiu uma frase recorrente nos protestos contra o ICE e defendeu a continuidade da mobilização social.

Ninguém está ilegal em terras roubadas, e é muito difícil saber o que dizer e o que fazer agora. Eu me sinto muito esperançosa nesta sala, e sinto que precisamos continuar lutando, nos manifestando e protestando, e nossas vozes realmente importam, e as pessoas importam”, afirmou a cantora durante o discurso.

Kehlani, vencedora de dois prêmios de R&B com “Folded”, pediu uma postura unificada da indústria musical diante das injustiças relacionadas à política imigratória. A artista destacou que a união fortalece a luta coletiva e incentivou colegas a se engajarem como comunidade.

Ao conquistar o prêmio de Artista Revelação, Olivia Dean mencionou sua história familiar e afirmou estar presente na cerimônia como neta de uma imigrante. Segundo a cantora, sua trajetória artística só foi possível graças à coragem da avó, e pessoas que vivem processos migratórios precisam ser reconhecidas e valorizadas.

Brasil vence categoria de Música Global

O Brasil foi representado no palco do Grammy com a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia na categoria Melhor Álbum de Música Global, com “Caetano e Bethânia ao vivo”, registro da turnê realizada em 2024 e 2025.

O prêmio foi anunciado durante a première do evento principal e recebido pela apresentadora Dee Dee Bridgewater, já que os artistas não estavam presentes. Nas redes sociais, Caetano Veloso publicou um vídeo celebrando a conquista ao lado da produtora Paula Lavigne.

Outros destaques do Grammy 2026

Além das manifestações políticas, a cerimônia teve equilíbrio entre as principais categorias. Kendrick Lamar e SZA venceram Gravação do Ano com “Luther”, enquanto Lady Gaga levou o prêmio de Melhor Álbum de Pop Vocal com “Mayhem”.

O Grammy 2026 também foi marcado por performances especiais e homenagens a artistas que morreram no último ano, reforçando o caráter simbólico e político da edição, que consolidou a premiação como espaço de expressão artística e posicionamento social.

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